Por Mariana Honesko

Aos 50 anos, Cyrlene Glovacki não demonstra mas, no cotidiano, precisa ter disposição de sobra para dar conta da arrumação da casa e cuidar bem das três meninas que tem em casa. Com a pequena é preciso muito mais que olhar atento: aos oito anos, a caçula toma tempo mas preenche, com folga, o coração da mãe.
Desde o nascimento das filhas, o artesanato ficou em segundo plano mas nem por isso perdeu o encanto. “Faço de tudo um pouco. Crochê, costura, vidro, madeira”, revela Cyrlene. Moradora de União da Vitória, a artesã dedica-se há 18 anos ao trabalho manual. O resultado garante composições bem exploradas, que vão desde o místico filtro dos sonhos à decoração de cozinha. “Antes era tudo vaca. Agora são as corujas”, sorri, referindo-se à moda que também interfere no mundo do artesanato.
Como a maioria das artesãs da região, Cyrlene recebeu os primeiros ensinamentos da mãe. Começou nos fios, mas logo migrou para a diversificação. “Fui aprimorando o que eu sabia. Fui fazendo cursos, aprendendo mais”, conta. A artesã precisa do apoio do marido para o sustento da casa: sobreviver apenas da venda da produção é impossível, pelo menos, neste momento, quando a procura é mais tímida, fruto das cheias que afetaram as Cidades Irmãs. E, inclusive, a casa de Cyrlene.
Ela mora em São Cristóvão e, quase dois meses após a enchente, ainda luta para eliminar a umidade e o odor deixado pela lama. Neste período, a produção artesanal também deu uma trégua. O efeito não assusta: a artesã não precisa de inspiração para criar ou de longas horas de trabalho sobre as peças. “Sento e vou fazendo. As coisas vão acontecendo”, sorri. De toda sua produção, a “queridinha” do público ainda é saudosista: modelos em crochê têm maior procura. “E é a que dá mais trabalho também”, brinca, mostrando a variedade de opções em que a técnica pode ser aplicada.

Na onda do que é moda
Depois das vacas e corujas, Cyrlene trabalhou pesado em nas capas para galões de água. Incontáveis modelos saíram de suas mãos. Foi assim também com os baús, os filtros do sonho – que teve auge na procura e hoje pode ser encontrado a partir de R$ 10 – e com os quadros para decoração das portas de crianças. “O gosto das pessoas varia muito e isso é de época também”, explica.
Onde encontrar mais
Cyrlene trabalha com encomendas, mas os trabalhos prontos podem ser encontrados na Associação dos Artesãos de União da Vitória, no centro, ao lado do Cine Teatro Luz.