Por Mariana Honesko

Ele tem o sorriso tímido, comum aos adolescentes de sua idade. Mas, aos 16 anos, Wesley Luiz da Silva, morador de Porto União e bailarino há quase dois anos, conquista sonhos de gente grande. O caminho iniciado há cinco anos, quando ingressou na dança, ganhou capítulo especial há alguns dias. Em 28 de julho, Wesley recebeu a confirmação de que seu nome – e seu talento – havia sido aprovado na seleção da Escola Bolshoi. “Foi uma seleção muito mais tensa do que difícil”, lembra Wesley. Valeu a pena: o bailarino foi o único homem aprovado no teste e um dos selecionados entre os 92 inscritos. “Além de mim, uma menina de Belém também passou”, sorri.
A aprovação carimba seu passaporte para uma nova etapa na dança profissional. A partir do ano que vem, Wesley ingressa na escola e em Joinville (SC), sede do Bolshoi, fica por três anos. “Para a dança contemporânea e mais um ano para o ballet”, esclarece. Em casa, o adolescente tem a benção da família. Por enquanto, é apenas o pai quem mais teme pela etapa. “Ele acha que sou muito novo para morar sozinho”, explica.
Em Joinville, Wesley vai precisar testar seus medos, embora amparado pela escola. Conforme ele, a instituição ampara os alunos com alimentação, uniforme e atendimento em saúde. A exceção envolve a moradia: na cidade, Wesley precisa encontrar e manter seu próprio endereço. Confiante, o adolescente parece estar disposto ao desafio. Com a aprovação, sonha mais alto e já tem apresentações e reconhecimento internacional em sua lista.
Para o professor, Fábio Bianchini, de 23 anos, proprietário do Grupo Corpo e Dança, onde o pupilo ganhou asas, o perfil de Wesley deve garantir a vivência de uma nova etapa com sucesso. “Ele é muito dedicado. Se ele não consegue, tenta e vai até conseguir. Os resultados são muito rápidos. Em um mês já se vê a evolução”, elogia. De acordo com Bianchini, Wesley chegou ao Corpo e Dança “cru”, mesmo já tendo feito aula em outra escola. Mas, em pouco mais de um ano, a nova casa conseguiu lapidar o talento do jovem. “Quando vejo tudo o que está ocorrendo e especialmente com o que aconteceu com ele, a palavra é espanto. Eu esperava conquistar isso tudo em dez, 15 anos”, sorri o professor.
As palavras soam como desabafo. Bianchini tem oito anos de casa. A instituição é simples, de bairro – São Pedro – e recentemente sofreu o efeito “dominó” a partir de denúncias que colocou em xeque o comportamento de outra instituição do gênero. O número de matrículas caiu drasticamente e Bianchini chegou a decidir pelo fechamento da empresa. “Quando os resultados começaram a aparecer, vi que tínhamos que continuar”, sorri.

Sobre o Bolshoi no Brasil
A Escola do Teatro Bolshoi em Joinville é a única instituição do grupo fora da Rússia. Ela trabalha com o mesmo perfil da Escola Coreográfica de Moscou, criada em 1773: proporcionar formação e cultura por meio do ensino da dança. Joinville foi a cidade escolhida para sediar o projeto de inclusão.
Na cidade, a estreia da escola foi em março de 2000. Joinville foi escolhida por ter profunda ligação com a arte, bem como por manter o tradicional festival de dança.