
Uma grade irá separar o professor dos detentos da Unidade Prisional Avançada (UPA) de Porto União. A medida cautelar é uma determinação do Governo do Estado perante as medidas para ressocializar a comunidade carcerária.
O fato é que na tarde de ontem o prefeito de Porto União, Renato Stasiak, juntamente com o diretor da UPA de Porto União, Wanderlei Borges, demais autoridades civis e secretários municipais acompanharam ato inaugural de uma sala de aula para os detentos. Os detentos terão cursos de alfabetização nos períodos da manhã, tarde e noite.
Parceria
As aulas terão parceria com educadores da secretária de Educação de Porto União, Centro de Educação Jovens e Adultos (Ceja) e Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

Ressocialização
O diretor da UPA afirmou que a inauguração representa um marco importante para a região.
Em um primeiro momento serão 25 detentos que contarão com o processo de alfabetização.
Porém a meta é atingir 100% dos detentos. “É uma chance para eles aprenderem e se ressocializar.
A inauguração da sala de aula era sonho. Foi com concretizado graças aos esforços do executivo de Porto União, Ministério Público, Conselho Comunitário, Agentes Penitenciários e tantas outras pessoas que acreditaram neste projeto”.
O prefeito Renato parabenizou o diretor administrativo da UPA desejando-lhe sucesso. Afirmou também confiança neste processo da educação no intuito de ressocializar o indivíduo.
Sala de aula
Os detentos frequentarão a sala de aula montada dentro do próprio presídio, com supervisão dos Agentes Prisionais.
Superlotação
Apesar de estar superlotada – a UPA foi construída com capacidade para 40 detentos e hoje abriga mais de 100, credita seus esforços em uma transformação social entre a comunidade carcerária.
O diretor administrativo acredita que medidas como esta contribuem para desmantelar pensamentos insanos por expectativa de vida. A UPA atende a Comarca de Porto União, Matos Costa e Irineópolis.

Pagar pelo crime
O doutor Rodrigo Kurt Quadros, representando o Ministério Público de Porto União, afirmou que a pessoa deve pagar pelos seus erros, porém sempre há uma segunda chance ao indivíduo. “Aprendi isso, que a pena é para doer.
Pois se o cidadão fez algo errado deve pagar. Porém acreditamos na resocialização. É preciso reeducar. Vamos pensar que uma pessoa que não pagou pensão alimentícia, pode se rebelar e virar um traficante? Não queremos isso não é mesmo?”
Atividade Educacional
Levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça responsável pelo sistema carcerário do país, aponta que apenas 40.014 presos possuem uma atividade educacional no Brasil. O número representa cerca de 9% do total dos detidos custodiados no sistema penitenciário, que chegava a 445.705 em dezembro de 2010. Segundo o Depen, 9.583 detentos estão sendo alfabetizados.
A maioria cursa o ensino fundamental: 22.028. Já no ensino médio são outros 6.468. Apenas 265 detentos no país possuem autorização judicial para deixarem suas celas e irem à faculdade. Outros 1.670 também deixam as prisões para fazer cursos técnicos. Até janeiro de 2011, 63,5% dos presos no Brasil não tinham o ensino fundamental completo. Pelo menos 25.319 eram analfabetos e outros 55.783 dos 445,7 mil sabiam apenas ler e escrever.
Presos em atividade educacional*
Alfabetização 9.583
Ensino Fundamental 22.028
Ensino Médio 6.468
Ensino Superior 265
Cursos técnicos 1.670
Total 40.014
*Fonte: Depen
(Fotos: Wannessa Stenzel)