Diversificar pode ser solução para preço alto da carne

Com o quilo perto dos R$ 20, carne bovina pode ser substituída ou incrementada. Criatividade ajuda na economia

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

Condições do tempo e índices de exportação interferem no preço final
Condições do tempo e índices de exportação interferem no preço final

A economia familiar tem nas donas-de-casa sua aliada. Elas podem ser responsáveis pelo bom uso do dinheiro que entra – e sai – do lar. A aposta é, inclusive dos economistas que, diante de preços altos aplicados nos cortes de carnes, acreditam no poder da criatividade de quem está atrás das panelas. “Neste momento minha sugestão é otimizar os recursos, ver o que cabe no orçamento e criar substituições”, recomenda o economista Roberto Farias.

Essa otimização, que vai desde a compra de carne “de segunda” até a troca das variedades – no lugar da de gado optar pelo frango, por exemplo – também envolve a escolha de receitas práticas, modestas mas ainda saudáveis.

A nutricionista Luana Klein acredita que a colocação eventual dos ovos nos pratos principais, por exemplo, não deixa nada a desejar em relação às carnes. “Para um bom funcionamento do organismo é de grande importância a ingestão de proteína e o ovo, desde que seja cozido e não frito, por ser mais saudável, é uma das principais fontes. As carnes, vísceras, peixes e leite também são fontes importantes”, recomenda.

Mas é preciso equilíbrio no consumo alternativo já que as carnes, de fato, são melhores em quantidade e qualidade de proteínas. Assim, quem acha o preço caro, vai precisar criar pratos distintos, embora à base das peças. “É uma proteína completa, porque contém todos os aminoácidos essenciais em quantidades e proporções ideais para atender às necessidades orgânicas”, explica Luana.

Carne 1Entenda a alta

Especialmente desde julho, a carne é vendida a partir de preços mais altos. A alta é mais evidente nas peças bovinas, que podem ser encontradas, em média, por R$ 19,90 o quilo. O frango ainda é o mais em conta e pode ser encontrado por R$ 9 (dependendo do corte), o quilo e até R$ 5, a coxa sobre coxa. “O frango se tornou um produto mais popular e pela produção, se torna mais acessível para a mesa do brasileiro”, lembra Farias. Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria do Paraná da Agricultura, a alta é reflexo de uma série de fatores combinados.

No caso da carne bovina, o preço mais alto é o resultado da redução dos rebanhos no Estado. “No Paraná está ocorrendo um intenso abate da matriz (fêmea) pela substituição para outras culturas, como a soja, especialmente”, explica o médico veterinário Fábio Mezzadri. Processo parecido ocorreu já em 2005, quando os rebanhos foram trocados pela plantação de cana-de-açúcar. “Para mudar de atividade, o pessoal vendeu o rebanho e abateu as mães”, simplifica.

Carne 2Outro fator determinando nas cifras elevadas é o aumento da exportação. A venda acentuada para fora do país enxuga o mercado interno e o preço sobe. Na conta, entra ainda a condição das pastagens, afetadas com mais intensidade em algumas regiões pelo frio rigoroso.

O frango, por outro lado, vive dias de “majestade”, embora não seja concorrente da carne bovina ou suína. No Paraná o aumento da produção, entre janeiro e julho, foi de 6%. A exportação também cresceu e, no primeiro semestre, registra 2% a mais que no ano passado. “O frango não concorre e as pessoas acabam comprando mais pela dificuldade de comprar outras carnes”, avalia o também veterinário do Deral, Roberto de Andrade Silva.

O preço mais barato nesta época do ano anuncia, por outro lado, valores bem maiores no final de ano, quando a carne é preferência. “Até o final de ano, a perspectiva é de que os preços sejam sustentados neste patamar. Agora é o momento das empresas fazerem seu estoque para o final de ano. Isso tudo ajuda a sustentar preço”, aponta Andrade Silva.

O Paraná é o principal produtor nacional de frangos e é o Estado que mais exporta a espécie no Brasil.

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