Por Fernanda de Freitas da Silva
Não me lembro do dia exatamente que escolhi ser psicóloga. No entanto, me lembro exatamente de todos os dias que me fizeram manter essa escolha. Me lembro do que cada aprendizado causava em mim e, do quanto, através da minha profissão, eu amadureci.
Conheci a Psicologia quando menina, e concluí a faculdade como mulher e, como eu sonhei tanto, enfim profissional psicóloga. Sempre achei isso meio estranho, não me lembrar o que levou à minha escolha. Talvez eu tenha escolhido muitas vezes. Hoje eu percebo que escolhi a Psicologia quando me dediquei desde tão cedo na escola, quando encarava as minhas tarefas com dedicação e compromisso, quando não dava mais importância a uma disciplina menos do que outras, quando não achava filosofia desnecessário, ou que português era só uma matéria pra compor a grade curricular.
Eu escolhi a Psicologia quando mudei mil vezes de cidade e quando alguém mudava pra minha sala eu me preocupava em acolher, em conversar, me colocava no lugar daquele que estava ali comigo, não sabia eu que um dia chamaria isso de empatia, um conceito rogeriano. Escolhi a Psicologia quando não bastava ler, eu me preocupava muito mais em saber interpretar, em pensar, em refletir. Escolhi a Psicologia quando me incomodava que tratassem as meninas de um jeito e os meninos de outro, que certas coisas só fossem bem vistas para uns e não para outros, mas foi com a Psicologia que o verdadeiro significado de feminismo e as relações de gênero.
Hoje percebo que eu não tive um motivo pra ser psicóloga, eu tive vários, e eles foram construídos de forma tão sólida, sob atitudes, sentimentos, comportamentos e experiências tão concretas, verdadeiras e reais que continuo a fazer a mesma escolha. Comemoro o dia 27 de agosto de 2014 com um gosto diferente, hoje meu primeiro dia como profissional formada, não mais com acadêmica, agradecendo as minhas conquistas nesses 5 meses desde a formatura, que podem não ter sido numerosas, mas pra mim foram extremamente grandiosas.
Agradeço aos meus pacientes por, mesmo sem saber, terem cada um a seu modo, me ensinado tanto e na maioria das vezes me emocionado na mesma proporção. Comemoro esse dia desejando a cada ano ter ainda mais motivos pra me orgulhar e pra continuar escolhendo a Psicologia.
Fernanda de Freitas da Silva é psicóloga