Por Mariana Honesko

A Raiva, doença controlada no Brasil há alguns anos, ainda depende de fiscalização. A patologia atinge os animais, tanto urbanos quando rurais, a partir do contato com morcegos também já contaminados com o vírus. O controle, mais do que intervenção pública, também precisa da ajuda da população. Recentemente, essa é a bandeira da Vigilância Sanitária de União da Vitória (Visa).
O órgão pede ajuda popular para o controle da Raiva. Para auxiliar é simples: basta que a morte de cães e gatos – vacas e cavalos, por exemplo, é responsabilidade da Secretaria Estadual da Agricultura – seja comunicada ao departamento. É a partir disso que o controle, de fato, começa. “Todos os anos precisamos enviar 26 cabeças de animais para o setor de zoonose do Estado. Este ano enviamos apenas três”, explica a médica veterinária da Visa, Nicóli Schaefer. O número ideal corresponde à 0,2% da população animal do município. Conforme Nicóli, a “baixa” é fruto da falta de comunicação entre o órgão e a comunidade. “Pedimos então que toda morte suspeita, em casa mesmo, ou atropelamentos, sejam comunicados para nós”, reforça.
O processo de controle precisa, contudo, de cabeças preservadas. Assim, animais já em Estado de putrefação ou com o crânio esfacelado, por exemplo, não podem ser usados pelo modelo de análise. Pode ser comunicada a morte de cães e gatos. De acordo com estudos da doença, a Raiva acomete as duas espécies e, inclusive, o índice de casos com gatos supera o de cães. “Porque eles têm mais contato com o morcego por serem caçadores mesmo”, explica a veterinária.
O serviço de recolhimento dos animais e envio para o setor de zoonose é gratuito à comunidade. Em média, o resultado do laudo é conhecido em 30 dias. Em 2013, um morcego contaminado foi encontrado na região. Assim com cães e gatos, eles também podem ser enviados à Visa.
Raiva controlada
O vírus da Raiva está presente na saliva de mamíferos infectados. Ela pode ser transmitida por animais domésticos, de reprodução – como bovinos e equinos – e silvestres. É neste grupo que entram os morcegos, quatis, macacos e raposas. Quem tem animal em casa precisa vaciná-lo contra a doença todos os anos. O processo é particular, feito nas clínicas.