Por Mariana Honesko

Declarada como utilidade pública pelas prefeituras de União da Vitória e Porto União, a Associação dos Deficientes Visuais do Vale do Iguaçu (Adevivi) já tem mais de uma década na “estrada”. Mas, embora conhecida, ainda engatinha na busca de apoio e ajuda profissional. O grupo, que agora se reúne no Bairro Santa Rosa, na Central da Cidadania – até pouco tempo o encontro era na prefeitura antiga de União da Vitória – tem mais de 20 membros e ânsia pela independência. Conquistá-la, inclusive, é a principal proposta da associação, mas é justamente neste aspecto que os obstáculos são maiores.
Ocorre que, conforme o grupo, a falta de ajuda profissional limita o ensinamento de técnicas, de leitura e até de ações simples do cotidiano. Por isso, as portas estão abertas para quem tem interesse em ajudar. “Precisamos de voluntários de várias especialidades. Precisamos de psicólogo, nutricionista, enfim, quem possa nos ajudar mesmo”, convida a secretária da entidade, Maria Clara de Araújo Bieberbach.
O convite é, de fato, para quem tem disposição e vocação. Por enquanto, a Adevivi não consegue remunerar os profissionais, já que ela também depende de ajuda. Hoje, as prefeituras auxiliam com transporte dos participantes e, Porto União, com a cessão de uma sala para as reuniões. Elas são semanais, sempre nas quintas-feiras de tarde. “A associação ajuda a pessoa a se sentir melhor, a voltar para a sociedade. Trabalhamos pela independência”, explica o presidente, Marco Antônio Dalpra.
Neste contexto, a Adevivi promove palestras, confraternização, viagens e muito trabalho. Os participantes do grupo são, de modo geral, hábeis artesãos. É deles a produção de peças decorativas, feitas a partir de barbante e papel jornal, especialmente. O material é vendido e o recurso revertido para a cobertura de pequenas despesas. O grupo sonha com muito mais e quer, por exemplo, se capacitar profissionalmente.

Casal de cegos torna-se pai de criança saudável
Marco Antônio, que preside a Adevivi, já ilustrou as páginas de O Comércio por ter uma história de superação. Na ocasião, ele apareceu ao lado de sua esposa, Ivone Felícia do Nascimento, outra guerreira no quesito. Agora, o casal aparece no jornal. Mas, dessa vez, carrega no colo o mais novo integrante da família.
Trata-se do pequeno Marco Louis, de cinco meses. Diferente dos pais, ele enxerga com perfeição. “Para nós é uma alegria muito grande. Meu sonho era ser mãe e isso aconteceu”, sorri Ivone. “Recebemos essa graça de Deus”, completa o orgulhoso pai.
Conforme o casal, a gestação foi tranquila e a certeza do nascimento de uma criança saudável, conhecida desde o início da gravidez. Ocorre que Marco Antônio não herdou a cegueira. “Fiquei cego depois de um acidente. Tive traumatismo craniano, fiquei 18 dias em coma”, lembra. Além da visão, ele perdeu parte da audição e do tato. Com Ivone, a história é parecida. No caso dela, porém, o acidente foi na infância. “Aos seis anos, eu tentei abrir um esmalte no fogo. Estourou e fiquei cega”, lembra. “Foi travessura mesmo”, sorri.
Ainda que um desafio, os novos papais garantem que o nascimento do primogênito deixou a vida e o sentimento muito mais leve e feliz.
A Adevivi promove a partir das 13 horas do dia 28, na Associação de Moradores do Bairro Santa Rosa, mais uma edição da Ação entre Amigos. O primeiro prêmio garante R$ 500 ao sortudo. O evento é aberto ao público.
Para ajudar
Basta visitar o grupo e se colocar à disposição. Toda ajuda, inclusive material, é aceita. Os encontros ocorrem na Central da Cidadania, todas as quintas-feiras, a partir das 13h30.
