Por Mariana Honesko

Os dois espaços públicos para pesquisa, leitura e acesso à internet, não vivem dias de glória. Ambos amargam o esquecimento popular. O cotidiano praticamente idêntico é o perfil da biblioteca José de Alencar, no centro, e da biblioteca cidadã Edy Santos da Costa, em São Cristóvão, em União da Vitória. Conforme os monitores destes endereços, a procura por livros de pesquisa é pequena, bem como é o acesso ao telecentro, disponível apenas no Distrito. “Tem dias que ligo todos os computadores para fazê-los funcionar. Quase ninguém vem pesquisar, acessar”, confirma a atendente Andressa Cristina Krosberg, da biblioteca cidadã.
Inaugurada em 2012 pelo governo do Paraná, ela tem sua situação mais comprometida no quadro. Por dia, nem dez pessoas visitam o endereço. A exceção fica por conta de poucos leitores assíduos da comunidade que, pelo menos a cada 15 dias, voltam à biblioteca para pegar novos livros. “Temos também visita das creches. O espaço infantil é ainda procurado com mais frequência”, lembra Andressa. O que ocorre com o telecentro é ainda mais sério. São dez computadores com conexão à internet por meio da fibra ótica da Companhia Paranaense de Energia (Copel) que passam a maior parte do tempo desligados. “Como não tem rede social, o pessoal não procura”, avalia a atendente.
A biblioteca José de Alencar, no centro, tem cerca de uma década e também compartilha do cotidiano da Edy Santos. O espaço fica no centro, em um dos barracões da extinta Rede Ferroviária. O local foi restaurado e agora mantém um acervo de cerca de 17 mil e 1,8 mil cadastros. A biblioteca não dispõe de computadores ou de wi-fi para uso da comunidade. A visitação também é mínima: por dia, a média também é de dez leitores. Idosos, com hábitos regulares de leitura dos jornais, por exemplo, e estudantes, ainda movimentam o complexo.
Ambas as bibliotecas dependem de um cadastro para acesso aos livros. Ele é gratuito e só “exige” comprovante de residência e uma foto 3 x 4.
Projetos
A Secretaria da Cultura responde pelas bibliotecas municipais. Segundo o coordenador de projetos da pasta, a condição dos dois espaços na cidade é conhecida e deve ser alterada. No caso da biblioteca cidadã, há interesse na ampliação do uso do telecentro. “Nosso objetivo é trazer mais computadores para que ela seja melhor utilizada ou ampliar o acesso do telecentro, por exemplo”, comenta Daniel Correia. A proposta é envolver de maneira plena os moradores de São Cristóvão. “Queremos promover ali também a questão da contação de histórias”, completa.
No centro, o setor aposta também na informática. Na José de Alencar, a secretaria avalia a implantação de computadores ou na disponibilidade do acesso móvel à internet. “Sabemos que isso vai demandar investimento, com certeza, mas que é possível dar uma incrementada nos espaços”, comenta. “São locais públicos e nós temos que oferecer e torná-las mais atrativas”, diz Correia.
Por enquanto, segundo o coordenador, não é possível precisar quando e se as mudanças vão acontecer. Um dos problemas mais sérios envolve a falta de direção da pasta. Há um ano, a pasta está sem secretário. Delbray Augusto Sá encerrou o comando da secretaria em agosto do ano passado. Desde então, conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, a diretora Elaine Cochah assumiu o cargo.
Para secretário da Educação, falta hábito de leitura
O efeito de quase abandono vivido pelas duas bibliotecas municipais pode estar associado com a falta de hábito pela leitura. A avaliação é do secretário da Educação de União da Vitória, Célio Calikoski. Para ele, é preciso fazer um investimento grande no setor, para que novos leitores sejam atraídos. “Falta um projeto de incentivo, para participação do povo mesmo. Os alunos acabam tendo este hábito mas usando o acervo da biblioteca de suas escolas. É o caso de São Cristóvão. O colégio (São Cristóvão) dispõe de bons livros”, avalia.
Calikoski fala em exceções e elogia a Biblioteca do Sesi, que funciona no Bairro Rio d’Areia. Ela nasceu a partir de iniciativa Federal e tem apoio municipal. “Ali ela é bem frequentada”, sinaliza.
Onde ficam
Biblioteca José de Alencar
Na Praça Visconde de Nácar, sem número. O telefone de lá é o 3523-4556.
Expediente: das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17 horas
Biblioteca Cidadã e Telecentro
Rua Professora Júlia Amazonas, sem número, em São Cristóvão.
No centro, obra vai abrigar museu e biblioteca
Iniciada em outubro de 2010, a construção deve ser concluída ainda neste ano. Alzira Domingos, que responde pelo investimento financeiro da estrutura, prefere não falar em datas. Tampouco sobre a real função do empreendimento. Originalmente, a obra abrigaria uma biblioteca mas, com o tempo, os rumos mudaram. Alzira acabou reunindo um grande acervo de peças e material histórico.
A construção, desenhada pelo engenheiro, Adailton Lehrer, tem cerca de 300 metros quadrados. Ela fica bem próxima dos trilhos, no centro, ao lado da Praça do Contestado, mas no lado de União da Vitória. Mesmo sem pintura, revela traços finos e um interessante chafariz em sua fachada. A obra é acessível e temporariamente segue fechada.
Após a conclusão, o museu será entregue à prefeitura. A intenção de dona Alzira é que o espaço seja aberto à comunidade, gratuitamente, e por lá ocorram capacitações e exposições itinerantes.