Por Mariana Honesko

Desde que começou a atuar na comunidade, a Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos e da Fala (Apadaf) conquistou expressivos avanços. O reflexo do papel na comunidade é visível, inclusive, no imóvel que abriga a Instituição há exatos 33 anos. Ele fica na Rua General Bormann, no centro de Porto União, mas é bem diferente do modelo inicial. “Isso aqui era um posto de saúde que a prefeitura nos doou. Aos poucos, fomos melhorando, construindo, ampliando”, conta a diretora pedagógica, Sandra Mara Paulichen Wimmer.
O resultado é um prédio amplo, com laboratórios, salas de oficinas e de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. São três andares, que contam, ainda, com quadra esportiva e cozinha. Mas, muito mais que comemorar os avanços estruturais, a Apadaf ousa na celebração dos 33 anos de história. Por isso, amanhã, abre suas portas (no período da tarde) para os contribuintes. Segundo a direção, são eles os principais mantenedores de todas as atividades e responsáveis por boa parte dos investimentos feitos na parte operacional e profissional. “Temos ainda auxílio das prefeituras da região, mas é a comunidade que mantém tudo isso”, sorri Sandra. O “porta aberta” é, ainda, uma maneira prática de prestação de contas do que é feito com as doações.
Estrutura
A Apadaf, que hoje celebra a “idade de Cristo”, atende 57 surdos, vindos de municípios de toda a região – embora a maioria seja de União da Vitória – e outros 117 pacientes de fonoterapia. Atuam na unidade 20 funcionários, sendo quatro fonoaudiólogos, uma psicóloga e uma assistente social.
A instituição funciona de segunda à sexta-feira, em período integral, e em duas noites abre suas portas à comunidade interessada nas aulas de Libras. “Atendemos desde crianças, com a estimulação, também a Educação Infantil e oficinas de Língua Portuguesa, informática, Libras e áudio-comunicação”, lembra a diretora.
A áudio-comunicação, inclusive, aposta no potencial de audição: o que “sobrou”, é trabalhado de maneira intensa e já têm dados bons resultados.
Dia 26 de setembro, Dia Nacional do Surdo
A data é uma referência e homenagem à criação da primeira escola de surdos do Brasil, fundada em 1857, no Rio de Janeiro. Hoje, a data age como maneira de difusão das informações sobre a deficiência, bem como da sensibilização da comunidade sobre o assunto.
Azul de todas as cores
A escolha do azul como tom da campanha não é aleatória. Estudos históricos mostram que a cor tem ligação com o passado um tanto obscuro dos surdos. Na Segunda Guerra Mundial, os surdos usavam fitas de cor azul embaixo de suas roupas. O gesto, secreto, os ajudava a reconhecer na comunidade quem também tinha a deficiência.
O cuidado para não serem descobertos tinha fundamento: na época, os surdos eram vítimas de experiências bizarras, além de serem excluídos integralmente da sociedade. Surdos não votavam, não casavam, tampouco compravam.
Cento de Captação de Recursos
Em funcionamento desde janeiro do ano passado, o Centro de Captação de Recursos aposta na boa vontade da comunidade. Com um ano de implantação, o modelo já tem dado bons resultados.
Trata-se do mecanismo já usado pelas Apaes, por exemplo, e que recruta a doação voluntária de qualquer quantidade em dinheiro. Telefonistas, com seu “QG” na própria Apadaf, ligam para os telefones residenciais e convidam à doação. O modelo é prático: quem aceita, nem precisa sair de casa. “Mandamos um cobrador na casa ou no trabalho, no dia que a pessoa preferir”, sorri a diretora pedagógica.