Por Mariana Honesko

Uma simples compra no supermercado pode custar muito mais caro. Há pelo menos duas semanas, até eles apostam no faturamento extra a partir do Dia das Crianças. Por isso, carrinhos, bonecas, jogos e aparelhos eletrônicos e roupas infantis dividem espaço com produtos de primeira necessidade. Até com o pão de cada dia.
Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas de União da Vitória (CDL), o investimento maior, que envolve inclusive setores pouco convencionais, é sinônimo de otimismo. Os empresários se dizem satisfeitos com a data e esperam faturar com ela até o dobro, na comparação de um mês “normal” com outubro, por exemplo. “O Dia das Crianças movimenta bastante a área de roupas infantis e brinquedos. Dá um acréscimo de vendas considerável. É uma das datas mais lembradas no ano”, afirma o presidente da CDL, Luciano Karpovisch. “Por isso, de um mês para o outro, o faturamento esperado é de até 50%”, completa.
Na busca de clientela, casas de comércio popular e lojas mais refinadas dividem espaço e criatividade. A pesquisa de preços pode, inclusive, garantir o encontro de ofertas bem interessantes.
Procon acende sinal amarelo
Se por um lado a data é cheia de mimos e tem apelo emocional, na prática, ela é um negócio, uma relação de empresário e consumidor que, se não for tratada bem, pode terminar com dor de cabeça. Por isso, os órgãos de proteção e defesa do consumidor fazem uma série de recomendações.
Entre elas, aparece a pechincha e pesquisa de preço. “Se o consumidor está procurando um determinado produto, é importante ver outras lojas, inclusive para se certificar das outras opções de pagamento que existem na praça”, orienta o consultor jurídico do Procon de União da Vitória, Raphael Bertolin.
Na hora do pagamento, é preciso ainda ficar atento às condições de pagamento. O Procon já atendeu situações, por exemplo, de clientes que desconheciam a negociação e das dezenas de parcelas que tinham acordado. “Às vezes o consumidor, no ímpeto de comprar o produto, acaba comprando por financiamento ou à prazo e não observa as condições. Por isso, o ideal é não comprar por impulso, não deixar para a última hora”, recomenda.
Atenção aos detalhes
O Procon recomenda ainda cuidados com o produto. É importante, por exemplo, que o consumidor se certifique de que a embalagem esteja lacrada. Peças do mostruário ou com muito manuseio podem já ter colocado em xeque a integridade do material. “A gente orienta também que os consumidores comprem os brinquedos com selo do Inmetro. Já é um produto fiscalizado, vistoriado. Não vai causar um mau à saúde das crianças e os defeitos são menores”, lembra a ouvidora do Procon em Porto União, Karin Daiane Chiarentin Bida. Ela lembra ainda a atenção nas compras feitas pela internet. Como a entrega do produto pode atrasar, sua orientação é comprar com antecedência, para evitar eventuais aborrecimentos.
No caso dos produtos eletrônicos, a atenção deve ser ainda maior. Pedir que eles sejam testados é fundamental. Itens mais caros, até de boas marcas, podem já estar com bateria ou pilhas “viciadas”. E, em todas as compras, seja de produtos mais simples ou caros, é essencial exigir a Nota Fiscal. Mais que o pontapé para a abertura de um processo o documento é um direito do consumidor. “E um dever do lojista. Não é um favor. Se o consumidor não exige, o comerciante pode até estar buscando mecanismos de burlar o pagamento de seus impostos”, ressalta Bertolin.
Comércio aberto até mais tarde
Como faz tradicionalmente na véspera de datas importantes, a CDL prevê o funcionamento do comércio até mais tarde no dia 11. Portanto, no sábado, quem deixou para a última hora tem a oportunidade de não deixar a data passar em branco. A Câmara ainda não confirma o horário de fechamento das portas mas garante que elas ficam abertas por mais tempo.
Novidades
As lojas estão recheadas, até o teto, com modelos, marcas e opções que agradam gostos e bolsos. Se para as crianças uma visitinha nelas representa um sonho, para os adultos, uma missão quase impossível. É possível encontrar carrinhos a partir de R$ 6,99 e até a casa da Barbie, comercializada por nada menos que R$ 1.499,00. Os vendedores fazem propaganda e seduzem com descontos para o pagamento à vista ou com o parcelamento em suaves, embora longas, prestações.