Por Mariana Honesko

Ele mata em metade dos casos. É grave, faz pouca distinção entre homens e mulheres mas pode ser prevenido. O infarto, especialmente comum entre pessoas que abusam da correria do cotidiano e passeiam pelo sedentarismo, faz todos os anos novas vítimas.
Ocorre que, uma vida um pouco mais “relaxada”, poderia salvar milhares de vidas, inclusive a de uma jovem senhora que, recentemente, caiu e morreu na rua, no centro de União da Vitória. Poderia, ainda, poupar as dores e o desconforto sentidos por um motorista que, sobre a Ponte Domício Scaramella, precisou manobrar com rapidez e pedir socorro.
De novo, a receita dada para a cura e prevenção da maioria das doenças, cabe no combate ao infarto. “Viver feliz, estar satisfeito como que faz. Isso já é meio caminho andando pra evitar o infarto”, sorri o cardiologista Cézar Augusto Lemos.
Entenda a doença
O infarto atinge em cheio uma ou mais artérias que nutrem o coração. “São artérias que ficam por fora do músculo e que levam o sangue para que o coração se mantenha em atividade”, explica o cardiologista. Quando ele ocorre, mata em 50% dos casos, ou seja, de cada cem pessoas que tiverem o infarto, 50 vão morrer sem ter tido qualquer sintoma ou sinal. “Pode ser em Londres, Nova Iorque, Paris, Porto União. A estatística é essa”, completa.
Nas situações de sobreviventes, o infarto vai deixar cicatrizes que, provavelmente, acompanham o paciente pelo resto da vida. “A artéria deixa de ter funcionamento e o coração passa a ter problemas mecânicos”, pontua Augusto Lemos.
O fenômeno é muito mais comum em homens. Contudo, o perfil, até mesmo entre eles, mudou um pouco. Antes, eram os mais velhos as principais vítimas. Agora, homens com até menos de 45 anos morrem com o infarto. Mudou, ainda, o sexo das vítimas.
As mulheres, que quase não apareciam nas estatísticas ou, quando apareciam eram vítimas idosas, também perdem sua vida muito cedo, vítimas do infarto. No caso delas, as consequências são mais sérias. Conforme o cardiologista, a maioria dos casos é fatal. “Quando ele atinge as mulheres, é muito mais grave”, confirma.
Entre “elas”, além dos fatores de risco – colesterol alto, tabagismo, hereditariedade, diabetes e pressão alta – desencadeiam o infarto.
Freio de mão
Desacelerar. Essa é a palavra que pode definir bem a “mágica” na luta pelo combate ao infarto. Ela vale para homens e mulheres e, na prática, pode significar dias mais tranquilos e longos. Fazer exercício físico e comer bem, também ajuda. “Não viver apenas em função do trabalho, da correria. Aquelas pessoas que não tem tempo para nada, estão sempre brigando por alguma coisa, tem um tipo de personalidade que favorece o infarto. Tem que trabalhar mesmo mas com cautela, não abusando”, orienta Augusto Lemos.
Como ajudar
Na ânsia de socorrer uma vítima de infarto, algumas dúvidas e a própria situação parecem cegar quem tenta ajudar. Mas, algumas dicas podem ser úteis e provavelmente, de tão simples, serão lembradas no momento do socorro. De acordo com o cardiologista, o ideal é que a pessoa seja deixada imóvel, com bastante ventilação. Abrir a camisa, por exemplo, pode ajudar.
Embora as atitudes favoreçam, o ideal é chamar socorro, o mais breve possível. Unidades do Samu e o Corpo de Bombeiros são ideais.