Movimento supera previsão para a data

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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(Fotos: Mariana Honesko).

Durante todo o domingo a movimentação foi intensa, marcada por rostos conhecidos, e daqueles nem tanto, de pessoas idosas e de jovens. Em comum, a saudade por quem deixou o convívio e faz falta. Neste dia 2, o Finados pautou um feriado diferente, aplicado em um domingo mas não menos popular do que um descanso em dia de semana.

Nas Cidades Irmãs, os dois cemitérios municipais, ambos no centro, atraíram centenas de visitas. O número superou a previsão inicial que tinham seus administradores.

Em União da Vitória, gente como Rosicler e Izaura Ribas, mãe e filha, acompanharam as duas missas, realizadas às 9 e 10 horas da manhã. “É um dia de oração e de homenagem aos falecidos. Já perdi pai, mãe, irmãos. É saudade mesmo”, disse Rosicler, com um sorriso no rosto. No final de semana, elas prestaram homenagem à um tio, sepultado no cemitério mais populoso e antigo da cidade. Irena Wlodarcz também dedicou parte de sua manhã para orar pelos pais, Júlio e Sofia, e pelo sobrinho, Félix. “A gente lembra deles todos os dias mas hoje (domingo) é especial”, comenta. Dona Eli demorou para chegar ao túmulo dos familiares. “Porque tenho que cumprimentar meus amigos e familiares no caminho”, ri. Como ela, outros tantos esbarravam-se em meio às lápides e, no abraço caloroso, tinham os sentimentos misturados.

Pelo clima descontraído, o Finados tornou-se um evento. Em União da Vitória e Porto União, além dos encontros casuais e até combinados, ambulantes deixaram mais colorido o dia cinzento a partir da oferta de lanches rápidos, quadros com imagens religiosas, pipoca, balões para os baixinhos e, claro, flores. Muitas flores. Quem deixou para a última hora nem precisou ir até a floricultura: ela foi até o cliente e no acesso dos cemitérios, explorou a necessidade de cor que o dia exigia. Naturais ou em plásticos, os vasos tiveram boa saída.

Em Porto União, o movimento esteve também bastante intenso no Bairro São Pedro, cuja concentração de moradores torna a comunidade a maior da cidade em número de habitantes. O cemitério, que fica em uma das partes mais altas do bairro, recebeu centenas de visitantes. Faltaram vagas nas ruas principais e laterais e a mescla de automóveis, bicicletas e pedestres, por pouco não causou vários “quase” acidentes. O espaço recebeu elogios dos visitantes, por revelar pequenas mas importantes obras. É o caso de uma rampa e escadas de ligação entre a parte baixa e alta. Antes, apenas uma elevação escorregadia de terra fazia a condução.

Atrações

Os cemitérios são defendidos, especialmente pelos professores, como endereço para se conhecer a história de uma região. Neste Finados, a teoria foi comprovada na prática. Alguns túmulos foram novamente visitados em massa. Em União Vitória, este foi o caso da lápide de Zilda Santos, morta em 1948, aos 14 anos. Conforme levantamento popular, Zilda teria sido assassinada, após sofrer abuso sexual e sérias agressões – dizem que ela foi cegada durante a barbárie – por um grupo de homens da “alta sociedade” da época. O caso chegou a ser investigado e na imprensa, abafado. No final de semana, uma dezena de vasos de flores foram colocados no túmulo da garota. Não se fala em milagres, mas o caso carregado de violência, ainda causa comoção.

O efeito se repetiu, embora com menor intensidade, no Municipal de Porto União. Por lá, foi o monumento de homenagem ao capitão Ricardo Kirk, vítima de acidente aéreo em um sobrevoo durante a Guerra do Contestado.

 

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