Comunidade Terapêutica Fundação Hermon

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Atualizado há 14 anos

*Por José Fagundes e Ilton Cesar Martins*

O presente artigo tem como escopo um breve retrospecto sobre a Comunidade Terapêutica Fundação Hermon, instalada na localidade do Pintado, município de Porto União. A Comunidade tem como mantenedora a Maçonaria Grande Oriente de Santa Catarina que, ainda, desenvolve trabalhos sociais em Palhoça, Laguna, Blumenau e Florianópolis.Em Porto União ela exerce atividades voltadas para o tratamento de alcoolismo e outras drogas, tendo como Coordenador Jurandir dos Reis e como Diretor Geral Rubem Pedro Bom.

Estivemos na Comunidade por duas vezes, o Professor Ilton Cesar Martins e eu, quando fomos recebidos pelo Coordenador que nos apresentou todas as instalações e forneceu as informações quanto à estrutura, funcionamento e objetivos da instituição. Criada em 2002, a Comunidade dispõe de instalações bem simples, porém funcionais: sala da coordenação, dormitórios coletivos, cozinha, refeitório, sala de palestra, sala de jogos e para o desenvolvimento de atividades artísticas; jardins e hortas completam o cenário numa ampla e aprazível área verde.

Além do Coordenador, prestam serviços à Comunidade uma psicóloga, uma fisioterapeuta, uma cozinheira, um prestador de serviços gerais; há ainda voluntários para as atividades artísticas. O que impressiona é o ar de liberdade que se respira em todo o ambiente. Aliás, a liberdade é uma condição para o ingresso, permanência e saída dos que vão em busca de tratamento; a liberdade sempre acompanhada de responsabilidade e disciplina.

O Coordenador explica que o primeiro passo para o tratamento é compreender a situação do dependente de drogas. Trata-se de alguém que perdeu tudo: valores, família, trabalho, amigos, a própria autoestima. Seu bem maior é a droga, ele a busca entre os iguais, onde encontra o conforto.

Todo o trabalho na Comunidade está centrado na construção do caminho de volta para recuperar tudo aquilo que ele perdeu. É uma nova caminhada entre iguais em busca de um sentido para suas vidas. É uma convivência de quatro a sete meses, onde as atividades do dia-a-dia são co-divididas por todos.

Participam, em forma de rodízio, de todos os afazeres da casa: aprendem a lavar e passar a roupa, a fazer pão, a preparar a comida, a lavar a louça, etc. A jornada é toda programada: levantam-se às seis e trinta da manhã, fazem a higiene pessoal, arrumam as camas, tomam café (a mesa é bem farta), agradecem e fazem a limpeza da louça; almoçam ao meio dia e da uma hora até às cinco e meia da tarde têm “lavorterapia”: cuidado da horta, plantio de árvores, atividades artísticas, com um intervalo às quinze horas para o café da tarde. Às dezenove e trinta é o jantar e às vinte e duas horas recolhem-se para dormir.

Nesta fase de recuperação a visita da família é obrigatória de quinze em quinze dias das nove às onze horas da manhã. Essa participação da família é necessária para que ela se recupere também e esteja preparada para receber e aceitar o e egresso em seu seio.

Quando solicitado a fazer um balanço dos dez anos de trabalho da Comunidade Terapêutica o Coordenador disse que preferia contar um pouco de sua trajetória como dependente do alcoolismo por vinte e oito anos. “Depois de chegar ao fundo do poço ‘eu e Deus’ começamos o caminho de volta; estou fora há vinte e quatro anos”. Neste interim, entrou na maçonaria, fez o Curso Técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos na UFPR, Curso de Serviço Social na Uniguaçu; é Venerável Mestre da Ordem e Delegado por Santa Catarina.

A Comunidade está classificada entre as onze melhores do Brasil, sendo condecorada com honra ao mérito pela Secretaria Nacional Antidrogas. Por ela passaram, nestes dez anos, 362 dependentes químicos e do alcoolismo; o índice de recuperação chega a sessenta e dois por cento, quando a média mundial é de trinta por cento. A Fundação Hermon oferece o exemplo de um relevante trabalho social, porém pouco conhecido e reconhecido pela sociedade, recebendo parcos recursos para a sua manutenção e funcionamento.

Gostaríamos de encerrar este sucinto relato com a Oração da Serenidade, sempre feita pelos que buscam a recuperação na Comunidade Terapêutica Fundação Hermon:
“Concedei-me Senhor, a Serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, a Coragem para modificar aquelas que posso e a Sabedoria para distinguir umas das outras”.

José Fagundes é Prof. Doutor, Membro da Academia de Letras Vale do Iguaçu. Ilton Cesar Martins é Prof. Doutor da FAFI de União da Vitória.

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