Depois de uma família inteira ter sido atendida no Instituto Médico Legal (IML) de Canoinhas no início da manhã do domingo, 2, boatos e reclamações atestavam que o Instituto Médico Legal (IML) não tinha médico legista. O Diretor Geral do Instituto Geral de Perícia (IG) de Porto União, João Leonardo Barneche, esclareceu o caso. Conforme ele, o problema não estava no IML de Porto União, mas no de Canoinhas. Porto União possui três médicos legistas. São eles: Pedro Robert Júnior, João Alberto Prust e Walbert de Paula e Souza. Já o município de Canoinhas conta somente com o médico legista Fernando Voigt.
Barneche explica que a regional a qual o IGP de Porto União pertence, em Joinville, obrigou uma escala de trabalho em finais de semanas alternados entre os profissionais de Porto União e o de Canoinhas. Então, funciona assim: se um acidente ocorre em Canoinhas, quando estiver um médico de plantão, o corpo seria removido para o município. Foi o que aconteceu com os corpos de Rodrigo Dalmolin, Letícia Tomko e Angelina Tomko Dalmolin, vítimas de um acidente automobilístico na “Curva do Tomate”, na SC-135. O médico Fernando Voigt, de Canoinhas, estava de plantão e, por isso, a necropsia foi realizada dez horas depois do acidente no IML daquela cidade.
O perito contestou os pronunciamentos dos vereadores Gildo Masselai (PP) e Sandro Calikoski (PMDB), que afirmaram em plenário, na última sessão da Câmara, na terça-feira, 4, que o IML de Porto União não tinha médico legista. “Nós temos médico legista, Canoinhas é que não tem”, disse Barneche. Já o prefeito Anízio de Souza, durante seu retorno à cidade, após uma viagem à Brasília, condenou o uso político da tragédia. “O IML não é nossa responsabilidade. Se fosse teríamos uma boa estrutura”, afirmou. No entanto o prefeito disse que sabia que Porto União possuia três médicos legistas. “Só não sabia que eles ficavam emprestados para Canoinhas. Isso é um absurdo”, atacou.
Escala suspensa
Após o ocorrido, o diretor do IGP local cortou o sistema de plantão, determinando a permanência dos médicos legistas que atendam somente os casos de Porto União. “Vou responder pela minha decisão na regional, mas não poderia deixar a situação como está”, desabafou. O perito disse que as informações foram distorcidas. “Porto União tem três médicos legistas. É pouco, mas é o que temos. Nunca ficamos sem médicos e sem atender a população”, defendeu.
Outros problemas denunciam a estrutura do IGP de Porto União e de Canoinhas. O enfermeiro auxiliar médico legal de Porto União, Felipe Krawczyk está em escala de sobreaviso em 27 dos 30 dias de novembro. O próprio perito criminal que responde pela direção do Instituto Geral de Perícias de Porto União fez 500 horas de escala de sobreaviso, fora seu horário normal de trabalho. Deve trabalhar outras 500 em novembro, sem direito a um dia de folga. Perguntado, Barneche disse que as horas de sobreaviso não são remuneradas desde o mês de agosto.
O Secretário de Desenvolvimento Regional de Canoinhas (SDR), Ricardo Pereira, não foi encontrado para comentar o caso.
Laudo pericial
Como perito criminal, João Leonardo Barneche disse que já periciou o caminhão e o Ford KA envolvidos no acidente do final de semana. O veículo está com o laudo pronto. O tacógrafo do caminhão foi apreendido pelo IGP, mas terá de ser aberto com cuidado para as informações não se perderem.
Relembre o caso
Na noite de sábado, 1º, em uma triste coincidência com a véspera do Finados, o casal Rodrigo Dalmolin, de 25 anos, e Letícia Tomko, de 22 anos, e Angelina Tomko Dalmolin, um bebê de 11 meses, tiveram morte instantânea após serem atingidos por um caminhão carregado de toras de pinus, na popular “Curva do Tomate”. Segundo informações coletadas logo após o acidente, registrado por volta das 22 horas, o motorista teria perdido o freio e não controlou a direção. O casal e a criança que ocupavam o Ford KA, com placas de Porto União, não resistiram aos ferimentos. O motorista do caminhão, de 22 anos, e o carona, de 15, não foram atingidos.