Método é milenar e pouco controverso

Pastoral da Saúde oferece limpeza de ouvidos a partir do fogo e cera de abelha. Serviço custa pouco e é bastante procurado

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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Técnica limpa em 15 minutos cada ouvido. (Foto: Mariana Honesko).

A limpeza de ouvidos depende de poucos elementos. Basta um cone simples, feito de tecido de algodão, parafina ou cera de abelha, e fogo. Pronto. Bastam 30 minutos – 15 para cada ouvido – e a audição pode ser sensivelmente melhorada. Se o resultado não for tão expressivo, a certeza é de que as orelhas estarão limpas, pelo menos.

Comum entre os “mais antigos”, a técnica é difundida de maneira popular na Pastoral da Saúde. Em União da Vitória, todas as unidades do grupo oferecem o serviço. Ele está no hall dos atrativos alternativos e baratos disponíveis pelo órgão. A limpeza, por exemplo, custa R$ 18. É praticamente simbólico considerando o tempo gasto em cada paciente, bem como no material usado. Além da vela e do fogo, a técnica recruta higiene. Por isso, luvas, máscaras e lençóis descartáveis são utilizados. “As pessoas saem impressionadas com o resultado. Dizem que estão ouvindo melhor e que aquilo que saiu do ouvido não era tudo deles”, sorri a voluntária da Pastoral, Zeneide de Paula Ferreira, com 17 anos de “casa”.

pastoral-saude-orelha (2)Ela aprendeu a técnica com a irmã Luiza, uma das fundadoras da Pastoral em União da Vitoria. Desde então, não parou mais. Conforme ela, a limpeza é um dos carros-chefes da Pastoral, procurada, em média, por até seis pessoas por dia, em cada unidade da entidade. A Pastoral coleciona elogios pela oferta do serviço e até garantia de cura. Pessoas com dificuldades na audição garantem que a limpeza devolveu parte da sonoridade. Outras, confirmam o desaparecimento de coceiras e de zumbidos. “Pelo benefício e até pelo valor, é um trabalho importantíssimo”, avalia Zeneide.

A limpeza é recomenda para todas as pessoas com idade superior aos quatro anos. Para ter eficácia, deve ser feita duas vezes ao ano. E não mais que isso, embora alguns insistam. O cone de algodão fica apenas na borda do ouvido – não é empurrado em profundidade – e a magia da limpeza está no calor da chama da outra extremidade. “O que faz o trabalho dar certo é o calor. A cera do ouvido é puxada pelo calor”, explica.

O mecanismo é confirmado pela medicina tradicional. Ocorre que, é justamente este aspecto que coloca em dúvida a prática. “Como a cera é gordurosa, ela derrete com o fogo. A Pastoral tem sucesso no tratamento mas depende da natureza”, avalia a otorrinolaringologista Eugênia Schaeffer. Seu alerta é quanto ao desenho interno do ouvido. Se os canais foram mais retos, a chance da cera escorregar para mais fundo é maior. Por isso, Eugênia é neutra. “Não indico mas também não contraindico”, sinaliza. Segundo a profissional, o ouvido é autolimpante e o ideal é que apenas a área externa, mais visível, seja limpa.

Pelo sim, pelo não, a crendice popular, transportada pelas gerações, é o que decide, de fato, a escolha do tratamento ideal.

Sobre a Pastoral da Cidade

pastoral-saude-orelha (3)As unidades estão presentes nas duas Cidades Irmãs. Nasceram em uma iniciativa da igreja Católica, tem cerca de 15 anos e uma infinidade de produtos.

Além dos serviços alternativos, como a limpeza de ouvido e a massagem – atraente, por R$ 30 – os “QG’s” dispõe de mais de cem tipos diferentes de ervas, recomendadas para as mais diferentes dores ou situações.

Em União da Vitória, o posto da Praça Visconde de Nácar é o mais conhecido. Mas, as voluntárias atendem todos os bairros, cada dia em uma comunidade, com a mesma oferta de produtos.

Atendimento da Pastoral da Saúde

Segunda-feira

São Bernardo, na igreja

Terça-feira

Rocio e São Sebastião, ambos na igreja de cada comunidade

Quinta-feira

Cristo Rei, no antigo Centro Comunitário

Sexta-feira

São Cristóvão, na igreja da Salette

Todos os dias

No postinho da Praça Visconde de Nácar

Limpeza de ouvido

Assim como a massagem, ela precisa ser agenda mas, apenas em quem quer fazer no posto da Visconde de Nácar, no centro. Por lá, o serviço está disponível nas segundas-feiras de tarde. Nos bairros, basta procurar as voluntarias e aguardar a vez. Outras informações no telefone 3523-1920.

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