Por Mariana Honesko

Eles não são muitos mas representam ameaça. Conforme moradores próximos do Terminal Rodoviário de União da Vitória, os cachorros que vivem no local não são tão dóceis quanto parecem. Na verdade, podem ser até agressivos. Com ferimentos na panturrilha, Marli Koch lembra bem do comportamento do bando. “Fui na feira e três cachorros pularam em mim. Nem sei qual me mordeu”, conta a moradora da Vila dos Ferroviários, endereço ao lado do Terminal. Conforme ela, por estar de calça jeans, achou que o “estrago” tinha sido menor. “Só fui ver em casa que tinha ficado assim”, diz, mostrando a mordida em uma das pernas. Marli parece não ter sido a única vítima do ataque repentino dos animais. Outro morador da Vila teria caído da bicicleta após o pulo dos cães.
Quem convive com os bichos, por outro lado, sai na defensiva. Taxistas da Rodoviária, por exemplo, negam os ataques dos cães que, por eles, são acariciados e até alimentados. Segundo os motoristas, os animais são calmos e, inclusive, atendem por apelidos, dados por eles mesmos. Os taxistas, por outro lado, dizem que apenas os animais que acompanham andarilhos são agressivos, mas que os ataques não ocorrem com frequência.
Proteção

Pelo sim pelo não, a circulação dos animais em um local público e de grande movimentação de pessoas não é boa. O setor de Proteção Animal da prefeitura conhece o caso. De acordo com Marlene Goulart, uma das responsáveis pelo órgão, a presença dos animais no terminal é fruto de uma série de combinações. Entre elas, a tentativa de manter ali os “bichos comunitários”, aqueles animais de rua que são adotados pela comunidade. Há também a questão de alimentação: se tem comida, os cães seguem no local. “Tem também a questão dos mendigos, que sempre tem um ou mais cachorros. Estas pessoas acabam frequentando a rodoviária e os animais ficam”, acrescenta Marlene.
Segundo Marlene, tentativas para a retirada dos cães do local já aconteceram. Alguns animais foram removidos do terminal a partir de adoções. Outros, passaram pelo processo de castração. “Mas quando retiramos o macho alfa do bando isso abre espaço para que muito mais animais ocupem aquele lugar”, explica. “É um problema a ser considerado”, completa.
Embora deva visitar o espaço novamente, Marlene é crítica quanto ao caso. Para ela, a cena agora comum na rodoviária – e em outros locais da cidade – só será desfeita quando a política de posse responsável e de castração for, de fato, aplicada de maneira integral. “Até lá é um saco sem fundo que só será alterado quando isso tudo ocorrer”, reforça.