Por Mariana Honesko

Os moradores da Vila Coradin, no Bairro Rio D’Areia, não aceitaram muito bem a decisão de encerrar as atividades com o trabalho de reciclagem. A conclusão do assunto aconteceu na quarta-feira, 3, durante reunião organizada pela prefeitura e que reuniu, além dos recicladores autônomos, vários setores da Ação Social, Saúde e Meio Ambiente de União da Vitória.
O consenso, embora discutido, é fruto das reivindicações de outros também moradores da comunidade do bairro. Segundo eles, o mau cheiro do material, bem como a presença de insetos e outros animais peçonhentos, impulsionaram o apelo. Assim, o “martelo batido” decidiu pelo encerramento das atividades privadas de reciclagem na Vila. Os trabalhadores informais terão até o dia 25 de janeiro para encerrar o trabalho neste campo. “Vamos disponibilizar as caçambas para o recolhimento do lixo e a partir de agora eles vão triar, separar o que pode ser reciclado e daí, encerrar este trabalho”, confirmou o secretário municipal do Meio Ambiente, Sidnei Cieslak.

Além das queixas da comunidade, a decisão pelo encerramento é baseada na orientação que o Ministério Público (MP) dá. O órgão exige, a partir da Lei 12.305, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que a separação do material reciclável seja feita em um local específico e adequado. “Nós da Vigilância (Sanitária) conhecíamos o problema na Vila Coradin e estávamos monitorando o local. Agora, com essa decisão, a reciclagem não pode mais ser feita ali”, ressaltou o diretor da Visa, Erli Daniel da Silva.
Para ele, o cotidiano da Vila Coradin é apenas a cópia do que já ocorria na região ribeirinha, onde a maioria das famílias tinha na reciclagem um recurso extra na renda mensal. Ocorre que, o aspecto visual não é bom, tampouco seguro. “Estivemos já diversas vezes no local solicitando para que a reciclagem a céu aberto não fosse feita. Agora foi dado um ultimato: eles têm até o final de janeiro para eliminar todo o material, todo o resíduo”, ressalta Silva.
Problema em outros lugares
O trabalho doméstico de separação de material reciclável não é exclusividade da Vila Coradin. É justamente por isso que a partir do ano que vem, uma força-tarefa deve coibir a execução do serviço nos demais pontos irregulares da cidade. “Isso cria bicho, ratos e a lei proíbe isso. Além disso, uma casa que faz a triagem, contamina outros espaços também”, lembra Cieslak.
Os locais, como a Vila Coradin, são monitorados pela Visa que tenta coibir a prática. “Nós recebemos uma grande pressão do MP para coibir o depósito de lixo a céu aberto e a legislação está abolindo os lixões e este tipo de concentração assim, aberta”, lembra o diretor da Visa. “Isso é problema de saúde pública e de ordem social também”, completa.
E o emprego?
Na reunião que decidiu pelo fim da reciclagem na Vila Coradin, os moradores questionaram sua sobrevivência. A maioria garante que depende financeiramente da coleta e da separação. Mas, conforme foi apontado no encontro, muitos também são beneficiários dos programas Federais. Sobre a coleta, Cieslak foi taxativo: lembrou que alguns se autodesligaram da Cooperativa de Trabalho dos Agentes Ecológicos de União da Vitória (Coopertrage) e que, em outras situações, há muitas outras opções de trabalho além da reciclagem. “Não é só de material reciclável que se vive. Existem também outras possibilidades. Os moradores também têm que se ajudar”, sinalizou.
Além dessa mobilização em prol de outra colocação no mercado de trabalho, Cieslak sugeriu a eleição de um representante da Vila Coradin, para que, nas próximas discussões, a pauta seja mais compacta e eficiente. Além disso, o porta-voz traria as queixas dos moradores que não fazem parte do grupo de recicladores. Eles são poucos, mas também tem direitos.
Oportunidade de trabalho
Conforme Cieslak, a Coopertrage vai abrir novas vagas. Assim, quem tiver interesse pode procurar a Secretaria do Meio Ambiente (em frente à Justiça do Trabalho, no centro) para se inscrever e participar da seleção. Já os moradores que desejam trabalhar em outros setores, devem procuram o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), no Bairro Rocio. Lá, essa população pode se inscrever nos cursos oferecidos pela entidade, e ainda receber indicação de emprego.
Na Avenida Perimetral, acúmulo de lixo preocupa

Na rede social, vários moradores e até frequentadores da ciclovia da Avenida Perimetral, em Porto União, cobram melhorias nas condições especialmente entre o Posto Delta e o trevo de aceso ao Jardim Brasília. A preocupação é, especialmente, por conta dos possíveis pontos de proliferação do mosquito transmissor da Dengue.
Segundo imagens publicadas e uma série de posts, o problema está na concentração de material, reciclável ou não, lançado ali. Conforme a prefeitura, o despejo incorreto ocorre com certa frequência e é feito pelos próprios moradores – a minoria. O setor de Urbanismo, também do município, mantém a limpeza do espaço de maneira rotineira e realizará já na próxima semana uma intervenção no local. Mesmo assim, a equipe solicita aos moradores e usuários da ciclovia para que auxiliem em manter o local limpo, evitando jogar materiais inadequadamente. Para ajudar, a prefeitura já instalou há algum tempo lixeiras em toda a extensão deste trecho, bastante movimentado pela utilização de pedestres e ciclistas. Denúncias de despejo de material inadequado podem ser feitas diretamente na Ouvidoria Municipal. O telefone 3523-7001 está disponibilizado para o registro das queixas.