
Ontem, 12, foi um dia intenso para os professores que estão em vigília na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). À pedido da presidência da Casa, a Justiça emitiu uma reintegração de posse da Alep para que a categoria se retirasse do local até às 5h30 de ontem. Contudo, mais professores se juntaram ao coro da greve.
Policiais militares durante o dia se retiraram do local e garantiram que não iriam impedir os professores de continuarem com a greve. Porém, em uma das estratégias da APP Sindicato em bloquear as entradas de acesso à Assembleia, houve tumulto.
Segundo Salete Tonon, diretora da APP em União da Vitória, o Batalhão de Choque chegou no meio da tarde, invadiu o espaço e deu tiros de bala de borracha em direção dos manifestantes. “Não tem registro de professores feridos. Fizeram isso como uma maneira de conter nosso movimento, mas nós vamos continuar aqui”, conta. “Eles foram exceção, porque a maioria dos policias que estavam aqui e que ainda continuam são muito educados e respeitam a greve”, completa.
A categoria teve uma multa fixada no valor de R$ 10 mil por hora que permanecer no local. Mas, conforme comunicado da APP, o jurídico do Sindicato está tomando as medidas necessárias para a derrubada da multa.
Conforme Salete a classe continua em greve e só irá ceder caso o Governo retire o “pacotaço”, discuta a pauta da greve e pague os atrasados para o funcionalismo público. “Nossa pauta vai além do pacote de maldades, ela é muito extensa”, explica a professora que faz referência aos temas discutidos em assembleia com os professores em Guarapuava no último sábado.
A sessão, portanto, foi remarcada para a próxima semana. Na quarta-feira e ontem, os deputados realizaram uma sessão no restaurante da Assembleia. Porém, na tentativa de barrar esses encontros e a aprovação do pacote, professores interditaram todas as entradas do espaço.
Pauta imediata da greve
1.Retomada do pagamento de todos os PSS no último dia do mês.
- Pagamento dos mais de R$ 70 milhões de progressões e promoções em atraso referentes a 2014.
- Medida imediata para não atraso de salários e benefícios.
- Cumprimento dos itens da greve de 2014, especialmente sobre pagamento sobre a formação e reconhecimento do tempo de serviço para promoções e progressão.
- Retomada das Comissões: cargo 40 horas, porte de escola, educação especial, EJA, educação do campo, sócio educação;
- Piso salarial: pagamento e equiparação salarial. Reajuste para 2015.
- Piso para funcionários: o maior desafio da meta 18 do Plano Nacional da Educação será instituir o piso aos funcionarás da escola para superação de igualdade. Reivindicação de reajuste para a classe conforme acordo em 2014 de 8,84%. A próxima definição será tomada em abril.
Saúde e Segurança também cruzam os braços e pedem pelo fim do “pacotaço “
Não foram apenas os professores que aderiram à greve no Paraná. Em União da Vitória, funcionários do Estado que trabalham para o Banco de Sangue também decidiram paralisar as atividades. Na cidade, o movimento foi tímido e começou ontem. Na praça Alvir Riesemberg, faixas foram expostas e, com apitos, funcionários chamaram a atenção para a paralisação. “Estamos unidos na greve mesmo com pouca gente”, comenta Sara Werle Crug, representante do sindicato no município.

Sara, na greve passada, foi a Curitiba se juntar com colegas da categoria. Neste ano, resolveu ficar e ecoar sua indignação por aqui mesmo. “Somos em poucos no Banco de Sangue porque a maioria que trabalha lá é funcionário do município e o Banco é em conjunto com o Cisvali”, explica.
Outro órgão do Estado em União da Vitória é a 6ª Regional de Saúde. Mas, por lá, eles não aderiram à greve. Conforme a assessoria do órgão, independentemente de a paralisação ser geral para funcionários de todo o Paraná, no município não será atendido.
Outro segmento
Os agentes penitenciários também anunciaram que aderem a greve do funcionalismo público. Na ocasião o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) Antony Johnson, afirmou que o pacote de medidas enviado à Assembleia desvaloriza a categoria. “Os deputados precisam aprovar essas alterações. Por isso, nossa greve geral fica condicionada ao resultado da votação na Assembleia que está acontecendo na tarde de hoje. Os Agentes querem que o “pacote de maldades” seja retirado por inteiro”, diz Antony Johnson.
No município, os agentes penitenciários ainda não anunciaram um parecer sobre a paralisação.