Por Mariana Honesko

Com 53 anos de idade, o modelo 220S da Mercedes-Benz revela uma jovialidade incomum. Ainda que de 1962, tem um charme único e uma modernidade clássica, seja pelo forte tom vinho da lateria, ou pelos acessórios impecáveis, de seu interior. Difícil dizer ao certo.
O veículo é um dos “xodós” do professor e historiador, Aluísio Witiuk. Embora discreto, o mestre revela-se um apreciador da marca e um colecionador caprichoso.
O Mercedes, que está em suas mãos há 28 anos, já foi exibido em feiras de carros antigos, teve outros sete donos, “morou” em cinco cidades e é a caminho do altar que revela todas suas virtudes. Ao lado da noiva, o carro ganha brilho e, igualmente, chama a atenção.
Embora com Witiuk há quase três décadas, o carro estreou no transporte de noivas há pouco tempo. Foi quando o professor presenteou Thais, então gerente do Grupo Verde de Comunicação, com a simpática travessia entre a “solteirice” e a união civil. “Desde então, as pessoas procuram muito. Já teve ocasiões em que tive que fazer dois casamentos em um mesmo sábado”, conta Witiuk. Com exceção dos amigos, o professor cobra um valor simbólico pela cessão do veículo. Quem contrata, tem motorista e carro particular, ainda que por algumas horas.
Quando não está à serviço, o Mercedes-Benz repousa na garagem de Witiuk. Aliás, este período de hibernação foi necessário por um período. Conforme o professor, durante a construção de sua casa, em Porto União, o carro precisou do descanso para o equilíbrio das contas. Imóvel pronto, o Mercedes saiu do abrigo: além dos casamentos, o carro é usado pelo professor aos finais de semana, para uma voltinha aqui, outra ali. “Uso também para mostrar a cidade para alguém que vem visitar nossas cidades”, sorri, como bom anfitrião.

Detalhes de grandeza
Original, o Mercedes-Benz desperta a atenção. É quase hipnótico. Pudera: além do traçado linear, do teto-solar há a traseira “rabo de peixe”, que fisga os olhares e desconcerta. A característica é um dos detalhes mais encantadores para Witiuk, quase fundamental na ocasião da aquisição do modelo, ainda em sociedade com o irmão. “Sempre tive interesse neste tipo de carro. É uma lembrança dos filmes, do Elvis”, explica.
O gosto pelo traçado é antigo, acompanha o professor desde menino. As chaves na mão representam mais, portanto, que a posse de um bem. “É a realização de um sonho de criança”, define.

A compra
“Aquilo que você coloca na cabeça, acaba realizando”. O alívio e o sorriso que acompanharam essa frase vieram muitos anos depois do sonho. Mas vieram. Há 28 anos, Witiuk e o irmão, negociaram a compra do Mercedes. O carro era de um oficial do Exército. A conversa começou, deu uma trégua e, finalmente, por U$$ 10 mil, veio para as mãos dos Witiuk. “Faziamos o revezamento. Eu ficava um período com o carro e ele outro”, lembra.
O tempo passou e o uso compartilhado chegou ao fim quando o irmão do professor, por conta da carreira militar, se mudou para Minas Gerais. “A sociedade foi desfeita e eu acabei ficando com o carro”, conta.

Enigma
A placa do Mercedes-Benz não é original. Na verdade, a atual substituiu a antiga, ainda de cor amarela, comum na época para identificar os carros do Paraná. O carinho pelo carro também está na peça: tratam-se das iniciais, BAW, uma espécie de abreviatura à “Benz Aluízio Witiuk”. O ano é 1962, data de fabricação do veículo.
Árvore genealógica
Conforme documentos, já amarelados pelo tempo, o Mercedes-Benz chegou ao Brasil no navio “Cap Vileno”. O desembarque foi no porto do Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 1962. O carro é alemão e provavelmente teve sete proprietários antes de Witiuk. Aos 53 anos, já passou pelo Pará, Rio de Janeiro, Goiás, Curitiba e, agora, “mora” em Porto União.
