HANTAVIROSE: Fiocruz experimenta “teste rápido” na região

Projeto é piloto e prevê identificação mais rápida da doença. Casos em General Carneiro e Cruz Machado estimulam escolha do local para pesquisa

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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Chefe da Regional, Ary Carneiro Junior, aposta na eficiência do teste: projeto ainda vai demorar para se tornar oficial. (Foto: Mariana Honesko).

Projeto-piloto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, tem a região de União da Vitória como área de experimentação. Não é por acaso: série histórica de casos confirmados e óbitos por Hantavirose confirmam a necessidade de intervenção.

Conforme o documento, entre 1998 e 2015, 90 casos da doença foram identificados na região atendida pela 6ª. Regional da Saúde (incluindo União, outros oito municípios) e 33 mortes, confirmadas. No ranking, lideram as cidades de General Carneiro, com 27 casos e nove óbitos, e Cruz Machado, com 19 situações e seis mortes. “A região tem os maiores índices do Paraná e até do Brasil”, confirma o diretor da Regional, o médio, Ary Carneiro Junior.

Por isso, a Fiocruz testa na região a criação de mecanismos de detecção precoce da doença. Conforme Ary Carneiro, caso funcione, a medida pode garantir o tratamento adequado e mais cedo ao paciente. Embora não seja combatida com medicamentos, a Hantavirose depende de uma série de cuidados especiais. No combate dos sintomas, uma escolha inadequada, pode comprometer o quadro ou até levar o doente à morte. “A identificação da doença ocorre por meio do exame de sangue. Ele é enviado ao Lacen (Laboratório Central) e volta, com o resultado, em cinco ou sete dias”, explica o médio.

Este intervalo pode ser tarde demais. O “teste rápido”, por exemplo, garantiria o diagnostico em 15, 20 minutos. “Mas por enquanto são apenas testes. A Fiocruz precisa apurar a técnica e caso seja aprovada, enviar para a Vigilância Sanitária, para aprovação e só depois, utilizar nos pacientes”, ressalta Ary Carneiro.

Até lá, a higiene pode prevenir novos casos. A Hantavirose, transmitida pelo roedor, Oligoryzomys nigripes, uma espécie de rato silvestre, é uma doença transmitida pelo ar, pela inalação de partículas suspensas na poeira e também pelo contato direto, através de ferimentos na pele, ingestão de água ou alimentos contaminados pela urina e outras secreções do rato. Por isso, medidas simples, são bem-vindas. E saudáveis. “No paiol, por exemplo, antes da pessoa varrer, é interessante que o espaço seja aberto e o chão molhado, para evitar que a poeira suba. Também vale manter os alimentos bem armazenados, bem fechados”, sugere o diretor. “A higiene é fundamental”, completa.

Mortes

Os dois mais recentes casos de Hantavirose terminaram com a morte de um homem de 52 anos e um jovem de 19. Ambos foram registrados em General Carneiro, praticamente na mesma área.

Sobre a doença

A Hantavirose é diferente da Leptospirose. O hantavírus está presente nos roedores silvestres. Já a Leptospirose, é transmitida pelos animais que vivem no espaço urbano. Ambos, contudo, são transmitidos de um jeito parecido e, igualmente, comprometem todo o organismo de quem é contaminado.

SÉRIE HISTÓRICA – de 1998 a 2015

90 casos

Foram identificados nos nove municípios da 6ª. Regional

33 mortes

Foram confirmadas na região

General Carneiro e Cruz Machado

Juntas, as cidades reúnem na série 46 casos e 15 mortes

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