GREVE DOS CAMINHONEIROS: Tensão e desordem marcam parada na BR 476

Fila alcançou cerca de 20 quilômetros e movimento foi marcado por questionamentos e insegurança. Motoristas alegam ser coagidos a parar

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Atualizado há 12 anos

caminhXXo-greve-paralisacaoPela segunda vez, caminhoneiros interditaram a BR 476 próximo ao Posto Carretão, em Paula Freitas. Contudo, a tentativa foi marcada pela falta de comunicação entre a categoria. Na tarde de ontem, a fila de mais de 20 quilômetros fechava boa parte do acostamento do quilômetro 344 da rodovia. Por lá a maioria queria voltar para casa e não ficar parado. “Já parei em seis barreiras, nenhuma delas foi igual a essa aqui. Eu quero é “tocar” para frente”, diz um motorista que não quis se identificar. Já outro conta que para que o movimento na região continue, precisa de estrutura. “Já parei em outros trechos também e o pessoal tinha água, comida, banheiro e tudo mais. Tinha até uma van que levava a gente para tomar banho em um posto que era longe. Aqui não tem é nada”, dispara. Outros motoristas que não quiseram aderir ao movimento, também condenam a falta de suporte e denunciam: “A gente é coagido a ficar. Se falar que não quer, eles jogam pedra e ameaçam.” Nestes casos, as empresas responsáveis pelas cargas orientam que permaneçam nas barreiras pela própria segurança.

Do outro lado, os grevistas alegam que existem mais barreiras ao longo das rodovias federais e, caso não parem na região, os motoristas contra o movimento vão acabar sendo obrigados a desligar o motor. “O pessoal tem que entender que todo mundo vai sair ganhando. Porque se a gente ganhar todos, inclusive quem não participou da greve, vai ter as regalias”, comenta um grevista.

caminhXXo-greve-paralisacao2No quilômetro, o movimento começou por volta das 2 horas e, incialmente, todos caminhões tinham de parar. No entanto, ao decorrer do dia e com a fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), determinadas cargas foram sendo liberadas. “Não deixamos carga viva, de segurança, de combustível ou com o risco de explosão ficar parada aqui”, explica o policial rodoviário, Fabiano Menacho.

Apenas ele e outro policial faziam a fiscalização do local, que contabilizava aproximadamente 600 caminhões, na tarde de ontem. “Estamos esperando reforço”, contou. “Mas está tranquilo. Nenhuma discussão ou briga foi registrada”, confirma.

Para “Urso”, outro manifestante, a intenção do movimento não é repressão. “Não estamos fazendo bagunça, quebrando nada ou brigando. É pacífico”, afirma.

Interdições e soluções

Ainda ontem, a PRF divulgou que havia 59 interdições de rodovias federais no País. De acordo com o órgão, no dia anterior foram feitas 26 autuações – 25 no Paraná e uma no Rio Grande do Sul – e uma prisão, em Mato Grosso do Sul.

O estado com maior número de interdições ou bloqueios parciais das vias é Santa Catarina, com 22 pontos nas BRs 101, 116, 153, 158, 163, 262, 280, 282 e 470. No Rio Grande do Sul, a PRF contabiliza 19 interdições nas BRs 101, 116,153, 285, 287, 293, 392, e 472. Completando a Região Sul, o Paraná apresenta oito interdições nas BRs 277, 369, 373, 476 e 487. Mato Grosso registra nove interdições nas BRs 070,163 e 364; e, no Ceará, há uma interdição, na BR 116.

caminhXXo-greve-paralisacao3O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que os caminhoneiros que continuarem obstruindo as estradas serão multados, com valores entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por hora.

O Governo tentou uma negociação com a categoria nesta semana. Na reunião, na tarde e noite de quarta-feira, governo e caminhoneiros chegaram a um acordo, ou parecia terem chegado. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, que participou do encontro, a proposta apresentada pelo governo foi acatada pelos representantes da categoria presentes à mesa de negociação.

Pela proposta, o governo promete sancionar a Lei dos Caminhoneiros sem vetos, prorrogar por 12 meses o pagamento de caminhões por meio do Programa Procaminhoneiro e criar, por meio de negociação entre caminhoneiros e empresários, uma tabela referencial de frete. Nesse item, os representantes dos caminhoneiros pediram que o governo atue na mediação com os empresários.

As principais reivindicações dos motoristas são pelo custo do frete e combustível. A categoria pede, também, a diminuição do valor cobrado no diesel, rodovias melhores (sinalização e vias), direito de parada em pedágios e postos de fiscalização da PRF, cumprimento de carga horária de trabalho e custo do pedágio.

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