TRAGÉDIA NA SERRA: Família perde 4 parentes no acidente

Dois dias antes, mãe sepultou outro filho. Apenas uma criança de três anos escapou, salva pelo abraço do avô. Jovem de 22 anos segue internado

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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“Estou desorientada, sem ânimo para nada”. (Fotos: Mariana Honesko).

O drama da chefe de família, Nilze Almeida, 62, é digno de um roteiro de filme. Trágica, tem sua história marcada pelas perdas e derrotas. Nilze, forte, respira com segurança e com a certeza de que agora, mais do que nunca, sua responsabilidade como líder de casa e de membros fragilizados, aumentou muito mais. Como amparo, busca Deus.

Foi assim, com o espirito blindado, que ela recebeu ontem a equipe de reportagem de O Comércio. “Mas digo que estou desorientada, sem ânimo para nada”, admite. Pudera. Nilze sepultou na segunda-feira quatro de seis parentes que estavam no ônibus da empresa Costa e Mar no sábado. O carro caiu em uma ribanceira, na Serra Dona Francisca, matando 51 passageiros. A pensionista precisou se despedir de maneira antecipada do filho, Carlos Alberto de Almeida, da nora, Eloina de Almeida, da neta, Assinara de Oliveira e da bisneta, Hágata Mirrela.

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Nilze e o retrato que mostra o carinho do avô, Carlos Alberto, pelo pequeno Brayan: na foto, criança está um pouco mais nova

O neto, Eliton Jhon de Almeida, 22, segue internado em Joinville (SC). E, milagrosamente, o pequeno, Bryan de Almeida, de 3 anos, sobreviveu. O menino escapou com pequenas lesões no corpo e um tornozelo machucado com mais gravidade. Conforme a família, ele teria sido um dos primeiros a deixar o ônibus, sozinho. “Ele ficou protegido pelo avô (Carlos Alberto), que o abraçou na hora da batida. É só por Deus”, revelam os familiares que ontem, compartilhavam da tristeza de Nilze, na ampla varanda da casa número 43, da Rua das Azaléias, no Cristo Rei. “Ele disse para gente que o vovô morreu e que a Hágata voou”, conta Nilze.

Destino

Nem Nilze ou sua família soube dizer para onde iam os seis familiares. Ninguém confirma a participação em encontro umbandista ou passeio no Beto Carrero. Uma das primas, contudo, garante que a viagem no carro da Costa e Mar os levaria ao litoral a negócios. “Ouvi eles comentando que queriam ver um terreno na praia ou uma casa, algo assim”, afirma. A excursão, para este grupo, pode ter sido apenas uma oportunidade de chegar ao destino.

Dor antecipada

A dor de Nilze foi ampliada no final de semana mas ela começou ainda na quinta-feira da semana passada quando outro filho faleceu. A mãe acredita em assassinato mas os irmãos dizem que não. Ontem, durante conversa com a reportagem, um deles confirmou que o laudo teria apontado para choque elétrico seguido de traumatismo craniano, por conta da queda do rapaz logo após a descarga.

Mesmo sem confirmar as causas exatas, Nilze amarga a saudade. O que já era terrível, ficou quatro vezes maior. O dia 14 de março, ainda tinha mais o que mostrar.

Tempo bom

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Família reunida na varanda lamenta a dor da perda brutal

A vida na casa de Nilze já foi bem melhor. Mãe de dez filhos, sempre teve as crianças “embaixo da saia”, protegidos e bem cuidados. “A gente estava sempre reunido. Era uma vida boa”, sorri. Mesmo com a perda dos familiares ao longo do tempo, de causas naturais, jamais havia enfrentando uma onda tão grande de dor. “O mês de março está sendo terrível. Tudo mudou”, lamenta.

Lápide

A família precisou dividir a dor. Conforme Nilze, há corpos sepultados no cemitério de São Cristóvão e no Bairro São Pedro. O corpo de Hágata foi levado para Carambeí (PR), por conta da ligação de outros familiares da criança.

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