Por Mariana Honesko
Uma semana que dificilmente será esquecida. Pelo menos, nas Cidades Irmãs, o silêncio é quase uma constante, quebrado apenas pela rotina do cotidiano, que obriga o exercício da paciência e da superação. O tempo tem passado lentamente e a saudade, especialmente para os enlutados, só aumenta.
Há uma semana, amigos, filhos, pais, conhecidos, envolvidos com a morte de 51 passageiros do ônibus da Costa e Mar, enfrentam uma rotina difícil. A região virou foco da imprensa regional e nacional. Praças e ruas foram tomadas por repórteres dos mais diferentes lugares, todos interessados em entender como uma viagem para o litoral do Paraná alcançou apenas a metade do trajeto e terminou de um jeito tão estúpido. Por enquanto, as dúvidas existem e as explicações não consolam.
Perícia
O Instituto Geral de Perícias (IGP), em Florianópolis, pericia o ônibus de União da Vitória. Ontem, a reportagem tentou contato com a equipe mas, foi informada de que as notícias ainda não podem ser publicadas. Em nota publicada em seu site, o IGP relembra a tragédia e agradece quem ajudou no socorro das vítimas, bem como elogio o envolvimento de várias cidades, juntas, unidas pela dor e pela vontade de salvar.
O texto fala ainda sobre os primeiros trabalhos do órgão, iniciadas ainda no dia 14, perto das 18h30, logo após o acidente na Serra Dona Francisca. “Os procedimentos periciais iniciaram-se no local dos fatos e na medida em que os corpos eram transportados para o Instituto Médico Legal do IGP de Joinville, foi necessário mobilizar uma grande equipe de profissionais para realizar os procedimentos necessários no âmbito pericial”, diz, parte do texto. “Registramos especial agradecimento a todos os voluntários e que foram muito importantes na realização das ações de recepção dos familiares das vítimas, que diante do momento trágico, agiram de forma a amenizar o grande impacto emocional, além disso, contribuíram de forma significativa na gestão documental junto aos familiares”, encerra o texto assinado pelo diretor geral do IGP, Miguel Acir Colzani.
De União da Vitória, a perícia é acompanhada também pelo delegado da 4ª. SDP, André Luis Vilela. Os destroços do ônibus de turismo da empresa Costa e Mar seguem no pátio da Polícia Rodoviária de Campo Alegre. Conforme os policiais, a liberação para a retirada de lá já foi autorizada pelo IGP mas ainda depende do aval da Delegacia de Joinville. Na Serra Dona Francisca, o trânsito já é normal desde o domingo.
Sobreviventes
O acidente matou 51 pessoas. Oito passageiros conseguiram escapar com vida. Um deles, contudo, faleceu no hospital.
Ao longo da semana O Comércio mostrou algumas histórias, de quem perdeu e de quem ganhou. Muitos se emocionaram com Bryan de Almeida, de 3 anos, que escapou praticamente ileso de toda a tragédia. Conforme a família, ele teria sido um dos primeiros a deixar o ônibus, sozinho. Foi salvo pelo abraço do avô, que o segurou com força na queda. Carlos Alberto, o dono de braços de herói, faleceu ainda no local.
Na noite de quinta-feira, foi a vez do jovem, Lucas Vieira, 17, voltar para casa. Abalado, preferiu não conversar com a imprensa. Pela rede social, mantém atualizações e agradecimentos. Lucas, por conta da saudade e das dores (ele teve fraturas e ficou na UTI do São José, em Joinville), mantem o silêncio. “Graças a Deus já estou em casa com a família, me recuperando. Não tenho palavras para agradecer a força, carinho e as orações de todos. Deus ama todos vocês e tem grandes planos pra vida de todos. Obrigado por tudo”, disse, em um post em sua página. No acidente, o adolescente perdeu a mãe, Sônia Vieira, e a irmã, Lariana Vieira. Ele e o sobrinho de dois anos, Arthur Telles de Abreu, foram os únicos sobrevivente da família. O pequeno Arthur continua internando na UTI do Hospital Infantil.
Em recuperação
Continuam internados em hospitais de Joinville cinco dos oito sobreviventes da tragédia. Quatro deles estão em UTIs e apenas um já foi transferido para o quarto. É o caso de Rosângela Linhares, 36 anos, que está no Hospital São José e mantém quadro clínico estável. Já Eliton John de Almeida, de 22 anos, o pequeno Arthur Telles de Abreu, Ana Aparecida Pires, de 17 anos e Elis Cristina Mazur, de 20 anos, continuam em estado grave.
Relembre o acidente
O ônibus da empresa Costa e Mar, de União da Vitória, caiu em uma das fortes curvas na Serra Dona Francisca, em Santa Catarina. Não há laudo conclusivo sobre o que teria ocorrido. O carro caiu em uma ribanceira, próximo de uma residência. Dos 59 passageiros, 50 morreram no local e um, dias mais tarde, no hospital. O acidente é considerado o mais grave de Santa Catarina e o quarto mais do Brasil.