SC Rural paga Serviços Ambientais a agricultores de Corredores Ecológicos de Bela Vista do Toldo

Evento na região de Canoinhas acontece no dia 1º de abril na câmara de vereadores

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Atualizado há 12 anos

Três propriedades rurais localizadas no Corredor Ecológico Timbó (Planalto Norte) e outras três abrangidas pelo Corredor Ecológico Chapecó (meio Oeste) serão beneficiadas com Pagamento Por Serviços Ambientais (PSA) – mecanismo inédito na região Sul do Brasil criado pelo Programa SC Rural como incentivo à preservação e recuperação de matas – implementado pela Fatma e pela Epagri. As assinaturas dos contratos acontecem no dia 31 de março, em Chapecó; e em primeiro de abril, em Canoinhas. Os beneficiários são os agricultores familiares Nelson Jesus dos Santos, Vilmar dos Santos Nascimento e Adão Antônio de Sá, residentes na área rural do Município de Passos Maia (Corredor Chapecó), e os irmãos Dorival, Lídia e Maria Goretti Schiessl, proprietários de áreas rurais na Comunidade de Imbuia, no município de Bela Vista do Toldo, localizado no Corredor Ecológico Timbó

Vilmar dos Santos Nascimento, 49 anos, casado, quatro filhos, é agricultor familiar na área rural do Município de Passos Maia, na localidade de Lajeado Santa Rosa, abrangência do Corredor Ecológico Chapecó. Em sua propriedade de 12 hectares produz leite e cultiva milho, feijão, batata doce e outros produtos para o consumo e venda de excedentes. Vilmar lembra que os três hectares de mata preservados ”encurtam a área de plantio”. Mesmo assim não tem dúvidas quanto à importância da iniciativa: ”O projeto é muito bom porque preserva as águas e ajuda na conservação do solo. E a água já está começando a faltar. Aqui mesmo, em 2004, faltou água até para beber, aí tive que cavar um poço, pois as nascentes tinham secado”. Nascido na região e disposto a permanecer na sua propriedade, Vilmar diz gostar “de viver perto da natureza, toda minha vida gostei de preservar árvores, elas filtram o ar. Se o pessoal continuar desmatando vai acabar a água. E sem ela não poderemos viver. Vou preservar esse mato e também já plantei as 700 mudas de árvores que o pessoal do projeto trouxe”. Entre as espécies plantadas, todas nativas, estão mudas de canela,araucária, cedro, imbuia e também de frutíferas como uvaia, guajuvira, ariticum e outras.

“Meu pai deixou essa terra para mim, ele gostava muito de preservar a natureza, não gostava de cortar, de destruir. E eu aceitei entrar no programa porque quero deixar essa terra para meu filho, como recordação do meu pai. Eu achei muito bom o pagamento de serviços ambientais. Assim, quem tem um pedacinho de mata também vai cuidar, para preservar a natureza. É muito importante isso”.

Maria Goretti Schiessl, 58 anos, casada, mãe de um filho vai preservar três dos seus cerca de dez hectares. Ela e seus irmãos Dorival e Lídia são agricultores familiares e residem na comunidade rural de Imbuia, município de Bela Vista do Toldo, no Corredor Ecológico Timbó. Os irmãos foram selecionados e irão receber cada um, R$1.023,75 por ano (renovável por três anos) para cuidar e manter três hectares de matas nativas em cada uma de suas propriedades. Maria Goretti não cultiva lavouras, dedica-se à extração de erva-mate e à apicultura:  Mantém aproximadamente 500 caixas (enxames) de abelhas nas matas de sua terra e de terceiros, em Bela Vista do Toldo e diversos municípios vizinhos. “Nossa região possui poucas áreas de matas nativas, foi muito desmatada. Mas graças a esse cuidado do meu pai – que eu quero homenagear, na minha área há muitas espécies nativas que irão permanecer onde estão. São desde araucárias, imbuias, cedros, até sapopemas, covatãs e vassourões entre outras”, conta ela.

Os dois Corredores Ecológicos foram criados com os Decretos Estaduais nº 2.956 e 2.957/2010 e localizam-se nas Bacias Hidrográficas dos rios Chapecó e Timbó, que somam 10 mil km², em 34 municípios, correspondente a 10,7% da área do Estado. Para sua efetiva implementação são previstas ações inovadoras incluindo o desenvolvimento de um mecanismo de pagamento por serviços ambientais. Cabe destacar que o tema tem estreita proximidade com as propostas de políticas públicas para conservação do meio ambiente que vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável – SDS, em especial a Política de Pagamento por Serviços Ambientais.

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