
Já dura 20 dias a paralisação das atividades no magistério de Santa Catarina. E, por enquanto, não tem data para o encerramento. Pelo menos, essa é a decisão da categoria que ontem esteve reunida em vários pontos do Estado para as assembleias regionais.
Em Porto União, o encontro reuniu professores do Planalto Norte, no plenário da Câmara de Vereadores, às 15 horas. A reunião foi uma pré-pauta do encontro estadual de hoje, maior, na capital.
Conforme a categoria, as discussões avançaram mas não suficientes. Uma das grandes conquistas para o grupo é a derrubada da Medida Provisória (MP) 198. Por outro lado, os professores efetivos andam na corda bomba quanto à descompactação das tabelas de pagamento. “Houve avanços mas tem coisas que acabam amarrando outros assuntos”, assume o coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (Sinte/SC), Celestino Glaab.
Ex-líder do sindicato, a professora de Língua Portuguesa, Líria Reisdorfer, é favorável à manutenção da greve. Para ela, o gesto responde às propostas do governo de Raimundo Colombo. “Essa contraproposta que o governador nem assinou, é algo que ele pensa em aplicar até 2018. Temos com isso um achatamento porque em 2011 conseguimos, com a greve, incorporar os prêmios, por exemplo”, diz.
A explicação é baseada na “pedra no sapato” que vem atrapalhando o final das discussões: a incorporação da regência de classe. “Ela é um direito conquistado, não tem como alterar. Daqui há dois, três anos, a regência vai diluir no vencimento e ninguém vai lembrar que isso existia. É um valor que faz diferença para o professor”, completa.
A greve tem, para o Sinte/SC, 30% de adeptos. De acordo com a Secretaria da Educação, a greve atinge 10% da categoria. Na regional onde está Porto União, o número de professores que cruzaram os braços chegou aos 300, aproximadamente. Contudo, houveram desistências ao longo de todo o período de paralisação.
Polêmica na regência de classe
Na segunda-feira, o secretário da Educação de Santa Catarina, Eduardo Deschamps, disse que sem incluir nos vencimentos dos professores parte dos 40% da gratificação, não há descompactação das tabelas. Depois, sindicalistas reafirmaram que não aceitam a regência diluída no salário.
É justamente com isso que trabalham os líderes do Sinte/SC. Hoje, a categoria decide pelo fim – ou não – da greve iniciada ainda em 24 de março. Na outra ponta, o governo vai estudar com a base aliada se encaminha novas propostas à Alesc, caso a manutenção da paralisação seja aceita.
ACTs
Polêmica, a MP 198 desvinculava os professores temporários do plano de carreira, criando uma referência salarial própria e mais baixa. A proposta foi um dos fatores desencadeadores da greve da categoria. No novo plano ficou garantido que os ACTs vão receber o equivalente aos efetivos de início de carreira.
Tem aula?
Depende. Conforme o Sinte, o ideal é que os pais procurem a direção das escolas para saber se há, ou não, aula.