
Uma reunião entre Secretaria de Indústria Comércio e Turismo de União da Vitória, Conselho de Turismo de União da Vitória (Codetur), Associação de Turismo e Meio Ambiente (Atema), secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) com empresários da Energética Água Santa, de Curitiba, mostrou um pouco de como caminha o turismo desenvolvido na região. A dúvida foi companheira presente durante todo o encontro. Isso porque um projeto de quase cinco anos, encabeçado pela Água Santa, está prestes a sair do papel e se sair, como é o previsto, irá movimentar a rota norte das cachoeiras.
Trata-se da instalação de duas Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) em Área de Preservação Ambiental (APA) da Serra da Esperança. A primeira fica na antiga Usina Palmital, e prevê o aproveitamento de quase 17 metros de queda natural da cachoeira. A segunda CGH fica na cachoeira das Bromélias. Por lá a utilização também será natural. Funciona assim: a queda de 24 metros da Cachoeira das Bromélias terá uma soleira construída de 4 metros. A vazão turbinada dessa água será de 4,9 metros cúbicos em relação a vazão média do rio, que é de 8,6 metros cúbicos. Nessa CGH, batizada como Água Benta, terá cerca de 0,3 de hectare alagado (1,3 corresponde a calha natural do Rio Palmital).
Já na CGH Água Santa, que fica na cachoeira Salto da Usina – onde já existiu uma usina entre as décadas de 1940 a 1980 – serão construídos 5 metros de soleira, para uma queda natural d’água de 16,5 metros. Aproximadamente 6,9 metros cúbicos da queda natural será de vazão turbinada, o que irá fazer funcionar a usina – para uma média de vazão de 7,6 metros cúbicos do rio. Nessa obra o alagamento será de um hectare.
O encontro foi fechado, só as autoridades e órgãos ambientais participaram. Na pauta estava o esclarecimento de algumas dúvidas, como: a cachoeira vai secar? O visual será afetado? Há risco? Impacto Ambiental?
A Energética garantiu que não terá impacto ambiental algum, o que é quase impossível, e as cachoeiras poderão continuar com as visitações.
No entanto as duas, Bromélia e Salto da Usina, não fazem parte da rota comercializada das cachoeiras. Elas fazem parte de um roteiro turístico da APA da Serra da Esperança, mas não recebem visitações como a rota sul das cachoeiras, onde ficam as mais conhecidas como a cachoeira do Véu das Noivas.
O empreendimento é particular e terá um custo de R$ 12 milhões, 6 para cada uma das usinas. As obras podem durar 12 meses, mas antes os requerimentos de instalação e operação deverão ser aprovados pelo escritório do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de União da Vitória. Conforme o chefe do escritório, André Aleixo, o documento está protocolado desde 2011 mas ainda em fase de requerimento de licença prévia.
O IAP irá dar o “ok” para outros procedimentos iniciarem, quando a Secretaria de Indústria Comércio e Turismo e Codetur emitirem uma posição. Os dois documentos seguirão para a APA da Serra da Esperança, eles então irão assinar e mandar, novamente, o requerimento de licença para o IAP de União da Vitória. Mas, o secretário de Indústria e Comércio e Turismo, Luilson Schwartz, adiantou uma posição favorável, e irá formaliza-la apenas na segunda-feira, 11. Para ele, se a empresa se comprometer a seguir o que informaram na reunião, não há problema. Nesse jogo, a Secretaria irá receber como forma de compensação cerca de R$ 300 mil de retorno. “Outras formas, que são medidas da empresa mesmo, serão de manter o acesso ao local e também o entorno e manter aberto para o turismo”, contou.
Durante a reunião, representantes da Enérgica Água Santa também sinalizaram que tem a intenção de dar o retorno para o município com alguma máquina que faça o patrulhamento rural das propriedades, caso necessário. Até atender outras áreas que o município mais necessite. “Teve um caso em que nós construímos uma creche na cidade. Mas isso é uma ação nossa, não está em contrato”, comentaram.
É preciso ter medo?
O Comércio publicou no final de abril editorial com alguns apontamentos: condições para o turismo naquela região, qual o real investimento feito pela iniciativa pública e até privada na Pasta e a possibilidade para que, além dessas hidrelétricas, outras possam ser construídas na região. O conteúdo também foi publicado nesta semana no Portal Vvale (www.vvale.com.br).
O secretário de Turismo afirmou que a cidade tem potencial, a geração de emprego nessas duas CGHs será entre 15 a 20 funcionários, “não é muito”, afirmou, mas gera movimentação na região e explora um mercado em acessão.
Hoje o Paraná é o terceiro maior produtor e exportador de energia, ficando atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo. O Brasil está entre as gigantes energéticas com funcionamento hidrelétrico no mundo e cada vez cresce mais. O mercado tem investimento do Governo Federal e abre portas para indústrias multinacionais se instalarem pelas terras tupiniquins.
E, nesse conflito que seguem as decisões. Proteger a natureza ou promover o desenvolvimento?
O debate será aberto público, ainda neste ano, em uma audiência. No entanto não há segurança de que a palavra dos moradores possa alterar alguma decisão sobre a construção.
Do outro lado da linha
Em Porto União existem três usinas como essas que estão querendo se instalar em União da Vitória. Todas na região de Santa Cruz do Timbó receberam as licenças de funcionamento em 2011: Rio dos Pardos, Bonito e Baitaca. Por lá foram feitos estudos, investimentos e hoje ainda funcionam. O debate foi parar em audiência pública, e seguiu o mesmo modelo praticado por União, contudo, moradores de uma das localidades dizem que a “água secou” e as visitas na cachoeira foram comprometidas pela construção da usina. Lembrando que as CGHs são as menores hidrelétricas em funcionamento, não se comparam ao gigantismo da Usina de Foz do Areia, que tem uma barragem de 160 metros de altura.