GREVE NA EDUCAÇÃO: Salas de aula começam a encher

Alunos e professores retornam, aos poucos, para às escolas

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Atualizado há 11 anos

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De União da Vitória mais de 300 professores foram à capital se juntar ao coro de manifestantes. Alunos das escolas estaduais e da Unespar também participaram do movimento. (Foto: Bruna Kobus).

O cenário da greve na Educação do Paraná é incerto. Entre negociações e manifestos professores, funcionários e alunos ainda não sabem por qual caminho seguir. A situação é diferente em cada escola. Em União da Vitória há professores que não aderiram à greve, mas tem aqueles que ainda continuam no movimento. No entanto, nenhuma escola estadual está trabalhando com todo o efetivo ou com salas lotadas, isso porque existem vários lados da história: dos pais que não sabem quando retomadas; dos alunos de terceirão que não estão preparados para as provas do Enem ou vestibular e que precisam receber o conteúdo; dos professores grevistas que não querem voltar por defenderem a causa; dos professores que já retornaram ao trabalho e outros que voltaram por medo de descontos em folha, porém apoiam o movimento. Mas, há também, aqueles que temem que um acordo não aconteça e, por isso, condenam que a mudança da pauta possa ter enfraquecido o movimento.

É o caso de alguns servidores da Escola Estadual Neusa Domit, no Distrito de São Cristóvão. Por lá, segundo a vice-diretora Gisele Padoan, o retorno para as aulas é tímido, mas acontece. Isso se deve justamente a pauta de discussões. “O objetivo da maioria aqui era ter ficado em greve em virtude da nossa previdência [Paranaprevidência], e como já foi votado e já está na Justiça tem de esperar todo o tramite. Então não tinha necessidade de ficar esperando a questão dos 8% porque a gente nunca parou por isso”, declara. “Entendemos que quem tem de negociar a questão salarial é o sindicato [APP], não tem necessidade de estarmos parados esperando a negociação”, explica.

O Neusa Domit tem 24 funcionários e 46 professores. Desses, mais de 80% voltaram ao trabalho na segunda-feira, 18. A expectativa é que o número aumente nesta semana, mas ainda não há certeza de que continue assim. Tudo porque no encontro de ontem entre servidores e governo do Estado, o pedido de reajuste do data-base de acordo com a inflação, de 8,17%, não foi aceito e o governo não recuou com a proposta de apenas 5% de aumento. Esse reajuste será pago em duas parcelas até o final do ano, isso se o Estado tiver caixa.

Nessa história os deputados estaduais também entraram na discussão e anunciaram que querem aumentar o reajuste para os servidores, mesmo que isso seja ilegal. A declaração foi do deputado Hussein Bakri, líder da bancada do PSC na Alep, quando falava com alguns repórteres. Na ocasião ele disse que não dá para prever a situação, mas que o projeto do governo poderia cair caso chegasse na Assembleia com a proposta dos 5%, o que aconteceu. “Claro que não dá para prever. Mas, hoje, acho que o governo perde essa votação aqui”. No entanto essa votação até começou, mas não seguiu por muito tempo. Ainda ontem à tarde a sessão na Assembleia Legislativa foi interrompida por “interferência” de professores e membros da APP, que lotavam as galerias da Casa.

Mas então, como fica?

A APP-Sindicato diz que vai continuar em greve e, agora, que a paralisação é geral. O anúncio foi feito depois de o governo não recuar na proposta de aumento. “Já que o governo não apresenta nada novo, não quer negociar com as categorias e não quer cumprir a lei da data-base, a greve agora é geral. Servidores e servidoras públicas mostram ao governo que, ao contrário do que ele quer, as paralisações só serão suspensas quando o governo cumprir com sua parte. Quem está em greve continua, quem não está vai entrar.”

Na nota a APP também informou que a situação só transmite o desrespeito do governo com os servidores.

Ontem, funcionários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em União da Vitória pararam em respeito aos professores e outros servidores que seguiram para a capital.

NRE

O chefe do Núcleo Regional de Educação, Ricardo Brugnago, disse que 14 das 53 escolas da região da Amsulpar voltaram às aulas nesta semana. Somente as Apaes do município não interromperam as atividades desde o início da segunda etapa da greve. Ainda assim, a coordenação local da APP-Sindicato diz que a adesão à paralisação continua forte.

Contudo, para saber se haverá aula ou não os pais estão sendo orientados pelo Núcleo a ligarem para as escolas.

 

DIRETORES

Alguns diretores, que não quiseram que seus nomes fossem divulgados, disseram ao O Comércio que estão sofrendo pressão de alguns grevistas por manterem as escolas abertas. A explicação, segundo eles, é que o dever do diretor é de abrir e fechar as escolas, além estar disponível para esclarecer qualquer questão de pais e alunos. Eles ainda reforçam que as decisões de greve são independentes da direção, aderir ou não fica a cargo do professor. O caso se estende para um bocado de professores que afirmaram passar pela mesma situação.

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