Montagens com fotos de servidores do estado e seus salários começaram a ser compartilhadas nas redes sociais – Facebook e WhatsApp – nesta semana. As imagens são de professores de União da Vitória que estão em greve, e o valor dos salários foram retirados do Portal da Transparência do Estado. Até aí não teria problema, já que o salário dos servidores é público e pode ser consultado na internet a qualquer momento. No entanto, o tom nas montagens é outro. Em todas as imagens aparecem fotos de professores em momentos de descanso, seus salários e, logo abaixo, é possível ver a frase “Seu filho está sem aula porque ele ou ela quer aumento”.
Para o “hall da fama” entraram 15 professores, entre eles servidores da rede básica vinculados com a APP-Sindicato, e do ensino superior que prestam serviços no campus da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).
Em assembleia realizada com a categoria na quarta-feira à noite, Samon Noyama, professor da Unespar e um dos representantes do comando greve no campus, condenou a ação e disse que as montagens são uma tremenda confusão. “Só mostra o desconhecimento sobre a greve. Primeiro porque colocaram professores da rede básica com os da universidade. Outra porque a montagem alega que estamos pedindo aumento, o que não estamos. Nunca pedimos desde o início da primeira greve em fevereiro”, retrucou.
Na verdade, o que os servidores estão pedindo é o repasse do data-base, que já era para ter sido depositado em 30 de abril, com correções da inflação em 8,17%.
Outro professor sindicalizado com a APP-Sindicato, Acir Moreira, que teve sua foto compartilhada, questionou. “Qual o problema de ganhar esse valor? Sou professor em fim de carreira tenho mais de 30 anos de escola, estudei, passei por graduação, PDE e especialização”, disparou. “Não tenho vergonha do meu salário, ganho aquilo mesmo que está lá, o problema é a depreciação que a categoria está sofrendo.”
Moreira já passou por coisa parecida há um mês, quando teve seu nome publicado na página social de um deputado estadual. Na época sua folha de pagamento foi questionada pelo político. Por isso, o professor afirma que a ação é orquestrada e União da Vitória não é caso isolado.
Caso de Polícia
Tanto os professores da rede básica quanto do ensino superior decidiram registrar Boletim de Ocorrência contra as pessoas que publicaram e replicaram o conteúdo. A direção da APP-Sindicato, em União da Vitória, informou que já enviou o caso para o jurídico do sindicato na capital. Já os professores da Unespar, além do BO registrado, também irão divulgar moções de repúdio.
Contudo, o embate, segundo eles, ainda irá ganhar novos capítulos. A intenção é que os responsáveis sejam punidos por calúnia e difamação.
Outras ações da categoria serão a elaboração de um abaixo assinado e concentrações na Avenida Manoel Ribas – em frente a Canaleta de União da Vitória – todos os sábados.
SEXISMO
Em uma das montagens a questão salarial está longe de ser o problema. Nela aparece fotos profissionais realizadas em um ensaio sensual de uma professora. As fotografias foram retiradas da própria página da fotógrafa e não estavam publicadas na conta pessoal da servidora. “É o ataque à profissional na posição de mulher”, disparou uma professora que acompanhava a assembleia.
Outra situação aconteceu com uma grevista, professora da Unespar, há duas semanas. Na ocasião ela entregava panfletos explicativos sobre o movimento quando foi xingada de “vagabunda”. A servidora registrou Boletim de Ocorrência da situação.