O reconhecimento do Brasil livre de aftosa sem vacinação pelo governo da China deve abrir novas oportunidades para a pecuária paranaense. A avaliação é do Sistema FAEP, que considera a medida um importante avanço para ampliar as exportações de proteínas animais produzidas no Estado.

A decisão chinesa encerra mais de 20 anos de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras ligadas à pecuária. O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer oficialmente o Brasil livre de aftosa sem vacinação.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o Paraná está em posição privilegiada para aproveitar o novo cenário.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, afirmou.
Impacto nas exportações
A expectativa é de aumento da demanda chinesa por proteínas animais brasileiras, beneficiando diretamente frigoríficos exportadores instalados no Paraná.
Além disso, a medida pode contribuir para a valorização do boi gordo e gerar reflexos positivos no mercado de reposição, especialmente para produtores de bezerros e garrotes.
Dados do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP mostram a importância do mercado chinês para a pecuária paranaense. Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para a China, movimentando US$ 126,9 milhões.
De acordo com o técnico do DTE, Fábio Peixoto Mezzadri, a maior parte desse volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, principal item exportado pelo Estado.
Parceria estratégica
A China segue como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Somente em 2025, o país asiático respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor.
Para Mezzadri, o reconhecimento do Brasil livre de aftosa reforça a confiança internacional nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países.
“O reconhecimento sanitário fortalece a imagem da produção brasileira e cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores, especialmente os paranaenses”, destacou.