Colheita da cebola é menor neste ano

O tempo instável e chuvoso na região, acabou afetando a produção de cebola na cidade vizinha de Canoinhas (SC), uma das grandes produtoras da cultura. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural da cidade, Edison Kuroli, as doenças típicas do período de colheita, geradas por conta do excesso de chuvas (comuns em dezembro e janeiro, quando a colheita acontece), afetam a planta. “Ele pega muitas doenças no caule, no bulbo da planta e acaba descendo, dando aquela podridão. Ele prejudica a estrutura da cebola. Isso vem sendo um problema sério”, aponta. Tanto é, que a produção em Canoinhas é menor, especialmente de quatro anos para cá. Em anos anteriores, a cidade já teve áreas de 300 hectares de cebola. “A produção veio caindo a medida em que as doenças vieram chegando”, completa o Kuroli.

Ainda conforme o secretário, que também é produtor de cebola, o tempo instável fez com que as lavouras fossem infestadas pelas doenças, especialmente pelo popular míldio (veja mais no quadro). Mesmo tendo preço atraente, R$ 1,30 na lavoura (nos supermercado o valor é maior), os efeitos do clima farão os agricultores amargarem prejuízos já neste começo de ano. Em Canoinhas, há produtores que perderam até 50% das lavouras. “Agora, o produtor tem coragem e amor pela profissão, que é o que garante a retomada do trabalho. E vamos produzir cebola de novo!”, diz o secretário, entusiasta.

Santa Catarina se destaca

O Estado é considerado o maior produtor de cebola do País. São mais de 20 mil hectares destinados ao cultivo da cultura, 36% de toda área plantada de cebola do País. Em 2017, por exemplo, com a alta na produtividade – o rendimento foi 46,9% superior ao da última safra – e o aumento na área plantada, gerando uma receita de R$ 10,24 bilhões.

Um grande mercado para as cebolas produzidas no Estado é a Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina (Ceasa/SC). Em maio de 2017 também, Ceasa/SC comercializou 1,3 mil toneladas de cebola, sendo que 97,6% tiveram origem em 29 municípios catarinenses, com destaque para Alfredo Wagner, Angelina e Rancho Queimado.

Em questões de produtividade, a soja e o milho catarinense são líderes nacionais. Foram colhidos 8,284 toneladas de milho por hectare em 2017, quase uma tonelada a mais que no Rio Grande do Sul, segundo colocado (7,298 toneladas por hectare). A produtividade da soja em SC foi de 3,698 toneladas por hectare (o Paraná, segundo lugar, aparece com 3,663t/ha.). A soja é líder tanto na área plantada como no valor da produção. O milho, no entanto, é o produto com maior quantidade produzida.

SC em destaque na produção

Cebola 

Maior produtor nacional, com 432 mil toneladas (26% do total).

Maçã

Maior produtor nacional, com 680 mil toneladas.

Arroz

Segundo maior produtor – 1,12 toneladas – atrás do Rio Grande do Sul.

Fumo

Segundo maior produtor, atrás do Rio Grande do Sul.

Palmito 

Segundo maior produtor, atrás de São Paulo.

Erva mate

Terceiro maior produtor – 8 mil toneladas. Houve queda de 14% ou 11 mil toneladas em relação a 2016.

Banana

É o quarto maior produtor do País. É o principal produto da lavoura permanentemente.

Chuva e umidade: doença à vista

Conforme o canal da Agência Embrapa de Informação Tecnológica, o míldio, também conhecido como mufa, mofo ou peronóspora é causado pelo pseudofungo Plasmopara viticola. “Os maiores prejuízos causados pela doença estão relacionados à destruição total ou parcial das inflorescências e/ou frutos e à queda prematura das folhas. O desfolhamento precoce causa danos à qualidade e à quantidade da produção do ano e enfraquecimento da planta para as safras futuras”, diz parte do texto.

A doença afeta todas as partes verdes da planta. “Nas folhas, inicialmente aparecem manchas amareladas, translúcidas contra o sol, denominadas de “mancha de óleo”. Em condições de alta umidade relativa, na face inferior da folha, sob a mancha de óleo, observa-se um mofo branco que é a frutificação do pseudofungo”, continua a redação.

O míldio é especialmente comum onde as condições climáticas sejam de temperaturas que variam entre 18 °C e 25 °C e umidade relativa do ar acima de 60%. “Todos os fatores que contribuem para aumentar o teor de água no solo, ar e planta favorecem o desenvolvimento do míldio da videira. Portanto, a chuva é considerada o principal fator epidemiológico por propiciar tais condições”, encerra o documento.

VARIAÇÃO DE PREÇOS

Uma consulta rápida feita pela reportagem sondou o preço do quilo da cebola em alguns supermercados. O preço é variável, mas, em média, custa R$ 3,50

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