Produtores, técnicos e representantes de entidades ligadas à apicultura participaram, na quarta-feira (19), do Encontro Regional de Apicultura e Meliponicultura do Planalto Norte Catarinense, em Porto União. Realizado no Pesque e Pague Água da Serra, o evento colocou em debate não apenas questões técnicas da produção, mas também um dos principais desafios enfrentados pelo setor: transformar a qualidade do produto em maior retorno para o produtor.

A programação foi organizada pela Epagri, Molimel – Associação Apícola do Rio Espingarda e Prefeitura de Porto União, com parceria do Sebrae/SC e apoio da Cresol. Entre os assuntos discutidos estiveram nutrição das abelhas, meliprodutos e produção de pólen, além de temas como processamento, profissionalização, agregação de valor e acesso a novos mercados.
Para a gerente regional Centro-Norte do Sebrae/SC, Aglaes Beatriz Meirelles da Silva, o momento exige que os produtores avancem além da etapa de produção. Na avaliação dela, conhecimento técnico, gestão e organização são fundamentais para que a atividade consiga acompanhar as exigências do mercado.
“A região possui uma cadeia com grande potencial, produtores experientes e produtos capazes de alcançar mercados cada vez mais exigentes”, afirmou. Segundo Aglaes, o desafio é fazer com que essa qualidade resulte em mais valor para quem está na atividade.
Produção existe, mas comercialização ainda é desafio
O secretário de Agricultura de Porto União, Bruno Bordin Lenci, apontou uma contradição que ainda marca a cadeia apícola regional: o território oferece boas condições para produzir, mas a comercialização continua sendo um obstáculo.
A presença de mata nativa, a extensão territorial e a oferta de alimento para as abelhas são fatores favoráveis à produção. O problema aparece principalmente depois da colheita.
“O produtor é ótimo para produzir, mas temos dificuldades para vender. Da porteira para fora é um problema”, resumiu Lenci.
É justamente nessa etapa que a Molimel vem tentando avançar, com a profissionalização da associação e a busca por condições para alcançar novos mercados. A obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF) é apontada como parte desse processo, já que pode ampliar os canais de comercialização e abrir caminho para operações com outros mercados, inclusive no exterior.
Processamento é apontado como próximo passo
O Planalto Norte já possui uma produção expressiva de mel, mas ainda há espaço para aumentar o processamento dentro da própria região. Essa avaliação é do extensionista rural da Epagri e coordenador de ATER da UGT 4 – Planalto Norte Catarinense, Johnny Fuzinato Franzon.
Segundo ele, a atividade está presente em municípios como Porto União, Mafra, Itaiópolis, Major Vieira, Monte Castelo, Rio Negrinho, São Bento do Sul, Campo Alegre e Canoinhas.
“Como produto primário, como matéria-prima, nós temos uma grande área e uma grande produção, mas ainda precisamos fortalecer o processamento”, explicou.
A avaliação é de que o fortalecimento de associações e cooperativas pode ajudar a manter uma parcela maior da cadeia produtiva na própria região, em vez de concentrar o valor apenas na produção da matéria-prima.
Mel de melato amplia perspectivas para a região
Outro ponto citado durante o encontro foi o potencial do Mel de Melato da Bracatinga, produto ligado à Indicação Geográfica que abrange parte do Planalto Norte.
Para os participantes, a característica diferenciada do produto pode representar uma oportunidade de ampliar a agregação de valor e conquistar consumidores fora do mercado regional. Nesse cenário, a exportação aparece como uma possibilidade de crescimento, mas depende justamente do avanço em organização, processamento, certificação e comercialização.
Mais do que discutir técnicas de produção, o encontro colocou em pauta o futuro da atividade: produzir melhor, processar mais na região e encontrar mercados capazes de remunerar o trabalho dos apicultores.