FAESC alerta: população de javalis em SC “está quase fora do controle”

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Atualizado há 1 ano

O avanço dos javalis em Santa Catarina preocupa autoridades, produtores rurais e lideranças do agronegócio.

Em artigo publicado nesta segunda-feira, 1,  intitulado “Guerra aos javalis”, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) e do Senar/SC, José Zeferino Pedrozo, afirmou que a situação “está quase fora do controle” no Estado.

Segundo Pedrozo, os prejuízos já são alarmantes, com lavouras inteiras destruídas em apenas uma noite, ataques a criações de animais e riscos crescentes à segurança e à saúde pública.

A rápida reprodução do javali europeu (Sus scrofa), espécie invasora, agrava o cenário: cada fêmea pode gerar até 16 filhotes por ano, e os grupos chegam a reunir 50 animais.

Dados oficiais apontam que, desde 2010, mais de 120 mil javalis foram abatidos em Santa Catarina. Mesmo assim, a estimativa atual é de mais de 200 mil indivíduos espalhados por 236 municípios, com maior concentração na Serra Catarinense e no Parque Nacional das Araucárias, entre Ponte Serrada e Passos Maia.

Além dos impactos econômicos, a presença dos javalis ameaça a sanidade animal. Eles podem transmitir doenças como peste suína africana, peste suína clássica e febre aftosa — enfermidades que, se atingirem os rebanhos comerciais, podem comprometer a produção catarinense.

O Estado é líder nacional na exportação de suínos, segundo em frangos e terceiro em leite, apesar de ocupar apenas 1,12% do território brasileiro.

Manejo insuficiente e riscos ao controle

A Lei nº 18.817/2023 autoriza o manejo e o abate controlado, mas a quantidade de caçadores habilitados é insuficiente para conter a infestação. Além disso, o processo enfrenta entraves burocráticos e riscos elevados.

“Os javalis atacam caçadores com ferocidade e frequentemente matam cães durante os combates”, destacou Pedrozo.

Debate nacional

Na última semana, a Câmara dos Deputados discutiu o problema em audiência pública. Parlamentares, especialistas e representantes do setor agropecuário apontaram a necessidade de agilizar licenças, ampliar o número de controladores e reduzir a burocracia para o manejo.

Pedrozo reforça que a questão vai além dos interesses do agronegócio: “É uma ameaça à segurança rural, à sanidade animal e à economia catarinense e brasileira.”

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