Presença de javalis próximos à área urbana preocupa moradores

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Atualizado há 11 meses

Moradores de Coronel Domingos Soares procuraram o Departamento de Jornalismo da Rádio Club de Palmas nesta segunda-feira, 3, para relatar a presença de javalis em áreas próximas ao perímetro urbano do município.

Segundo os relatos, grupos com vários animais foram avistados em propriedades rurais situadas a poucos metros da cidade.

Um dos registros, inclusive, teria ocorrido nas proximidades de uma instituição de ensino, o que acendeu o alerta entre os moradores.

O javali é considerado, há anos, uma das principais espécies invasoras do Brasil. Por não ser nativo, não possui predadores naturais, o que permite que sua população cresça rapidamente.

A espécie causa grandes prejuízos às atividades agrícolas, atacando lavouras de milho, feijão, soja, trigo, pastagens, hortas e até criatórios de aves e suínos. Além das perdas econômicas, o animal representa risco sanitário, podendo transmitir doenças como peste suína africana, peste suína clássica e febre aftosa.

De porte robusto e temperamento agressivo, um javali macho pode pesar entre 150 e 190 quilos, chegando em alguns casos a ultrapassar 250 quilos. O alto potencial reprodutivo da espécie também preocupa: uma fêmea pode gerar duas ninhadas por ano, com cerca de oito filhotes em cada.

Desde 2013, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autoriza o abate controlado dos javalis. Para isso, os controladores devem estar inscritos no Cadastro Técnico Federal, obter autorização de manejo e, caso utilizem armas de fogo, registrar os armamentos junto ao Exército.

Em nível estadual, tramita na Assembleia Legislativa do Paraná desde 2022 um projeto de lei que busca regulamentar a caça do javali. No âmbito federal, a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados realizou, em agosto, uma audiência pública para discutir o avanço da espécie no país.

Durante o debate, deputados e produtores rurais pediram menos burocracia e mais autonomia aos estados para definir normas sobre o controle e o abate. Já pesquisadores e entidades de proteção animal manifestaram preocupação com os riscos sanitários e ambientais.

Na ocasião, o Ibama informou que está desenvolvendo um novo sistema informatizado para agilizar a concessão de autorizações e melhorar o rastreamento do manejo dos animais.

Também foi apresentado o Projeto de Lei 4.253/2025, que transfere a estados e municípios a competência para manejar espécies invasoras. O texto autoriza a caça controlada, regulamenta a comercialização da carne e subprodutos mediante inspeção sanitária e propõe reduzir a burocracia nos processos de licenciamento. O PL está atualmente sob análise da Comissão de Saúde da Câmara Federal.

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