Produtores ajudam a testar tecnologias agrícolas nos Estados Unidos

Modelo conhecido pela delegação do Sistema FAEP aproxima startups e agricultores para validar tecnologias agrícolas antes que elas cheguem ao mercado

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Atualizado há 2 semanas

Uma tecnologia pode funcionar perfeitamente em laboratório e ainda assim fracassar quando chega ao campo. Poeira, sol, chuva, longas jornadas de uso e até dificuldades na operação de equipamentos podem separar uma boa ideia de uma solução realmente útil ao produtor.

Esse desafio foi um dos temas observados pela delegação do Sistema FAEP durante visita à Reservoir Farms, em Salinas, na Califórnia, nos Estados Unidos. O espaço aproxima startups de tecnologia agrícola e produtores rurais para que novas tecnologias agrícolas sejam testadas e aperfeiçoadas em condições reais antes de ganharem escala comercial.

“Uma tecnologia pode funcionar bem no laboratório, mas, quando vai para o campo, fica exposta a condições mais difíceis. A ferramenta precisa ser resistente e passar por muitas horas de testes para provar que consegue funcionar em escala comercial”, explica Grace Algeo, gerente da incubadora.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Tecnologia precisa resolver problemas reais

A resistência física de uma ferramenta, no entanto, é apenas parte do processo. Segundo Grace, a inovação precisa resolver problemas concretos das propriedades.

Entre as possibilidades estão a redução da necessidade de mão de obra, melhorias na pulverização e a automação de determinadas operações.

“Ela precisa preencher uma necessidade específica do produtor. Além de ter uma engenharia robusta, precisa ser simples e intuitiva, algo que o agricultor consiga realmente utilizar”, afirma.

Outro ponto considerado essencial é o retorno financeiro. Mesmo uma solução tecnicamente eficiente pode enfrentar resistência caso o benefício obtido não seja suficiente para compensar o investimento.

“O retorno econômico é absolutamente vital para qualquer produtor. Se a tecnologia custa mais do que o valor que consegue gerar, aquele investimento não se justifica. Precisa existir algum ganho concreto para quem adquire a solução”, destaca Grace.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Produtores participam da validação

A metodologia chamou a atenção dos produtores paranaenses que participam da viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos.

Presidente do Sindicato Rural de Cambará, Aristeu Sakamoto considera fundamental comprovar na prática a eficiência de uma inovação antes de incorporá-la à propriedade.

Segundo ele, na agricultura, uma decisão equivocada pode comprometer meses de produção.

“As ideias precisam ter sua eficiência e sua eficácia comprovadas no campo. O produtor quer ter certeza de que aquilo será viável e vai trazer resultado. A agricultura trabalha com ciclos. Se perder um ciclo, as consequências podem ser grandes”, observa Sakamoto.

Feedback do campo muda até detalhes dos produtos

Na prática, a participação do produtor durante o desenvolvimento das tecnologias agrícolas pode provocar ajustes que dificilmente seriam percebidos dentro de um escritório ou laboratório.

Esse modelo é utilizado pela Agerpoint, empresa que desenvolve ferramentas para análise de lavouras a partir de diferentes fontes de informação, incluindo imagens de satélite, drones, celulares e equipamentos autônomos.

A empresa realiza provas de conceito com clientes no Brasil e em países da América Central. Algumas alterações em seus produtos surgiram diretamente das experiências de profissionais no campo.

Em um dos casos, a empresa modificou as cores utilizadas no aplicativo para melhorar a visualização da tela do celular sob o sol. Em outro, aumentou o tamanho dos botões para facilitar o uso durante as atividades na propriedade.

“Quando vamos para uma fazenda, aprendemos os casos reais de uso. Esses tipos de mudança ocorreram diretamente a partir do feedback dos usuários”, explica Gary Rudolph, vice-presidente de Engenharia da Agerpoint.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Modelo pode inspirar soluções para o Paraná

Para Sakamoto, a aproximação entre desenvolvedores de tecnologia e produtores rurais é um dos principais aprendizados da viagem técnica.

“Algumas tecnologias que vimos têm resultados promissores e poderiam ser aplicadas à nossa realidade. Todas as culturas têm problemas a resolver. Essa interação é que permite encontrar o caminho para uma solução”, conclui.

A experiência norte-americana mostra que colocar o produtor no centro do processo de desenvolvimento pode reduzir erros, melhorar os produtos e aumentar as chances de adoção de novas soluções no campo.

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