Produtores do Paraná começam a aplicar inteligência artificial no campo

Após viagens técnicas aos Estados Unidos, produtores testam inteligência artificial no campo para reduzir custos, modernizar sistemas e melhorar a gestão rural.

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Atualizado há 19 horas

Produtores rurais do Paraná estão colocando em prática conhecimentos adquiridos durante viagens técnicas aos Estados Unidos, promovidas pelo Sistema FAEP ao longo de 2026. As iniciativas envolvem o uso de inteligência artificial no campo, automação de processos, imagens de satélite e ferramentas digitais para melhorar a produtividade e a gestão das propriedades.

Os projetos estão em diferentes fases de desenvolvimento e incluem aplicações na produção de mandioca, operação de silos, controle de danos nas lavouras e registro de atividades rurais.

Durante as viagens, os participantes visitaram empresas, universidades, propriedades rurais e centros de inovação nos estados da Califórnia, Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o objetivo é aproximar os produtores paranaenses de tecnologias que ainda não estão amplamente disponíveis no Brasil.

“O objetivo principal destas viagens é permitir que os nossos líderes e produtores conheçam tecnologias que ainda não estão no Brasil. Desta forma, eles podem, além de aplicar na própria fazenda, disseminar esse conhecimento entre os associados dos sindicatos e os produtores da região”, destaca.

Inteligência artificial ajuda na gestão da mandioca

A produtora Kátia Garrido, vice-presidente do Sindicato Rural de Santa Cruz de Monte Castelo, começou a testar uma ferramenta de inteligência artificial para organizar os custos da produção de mandioca.

Após participar de uma viagem técnica em setembro, ela iniciou contatos com a empresa Agro AI para avaliar o uso da tecnologia na propriedade.

A intenção é registrar despesas operacionais, acompanhar a rentabilidade da cultura e identificar oportunidades de redução de custos.

Kátia também pretende utilizar comandos de voz e fotografias de documentos para agilizar o controle financeiro, liberando mais tempo para as atividades na lavoura.

“Com a Inteligência Artificial, pretendo terceirizar algumas atividades para a ferramenta e me dedicar mais à operação”, afirma.

Produtor moderniza sistema de silo com auxílio da IA

Em Ortigueira, o produtor Marcos Eidam, presidente do sindicato rural do município, utilizou inteligência artificial para modernizar um programa de gerenciamento de silos desenvolvido por ele há aproximadamente 30 anos.

O sistema antigo dependia de uma versão desatualizada do Windows, o que dificultava a modernização dos equipamentos.

Após conhecer as possibilidades da ferramenta Claude durante uma viagem técnica, Eidam forneceu o código original à inteligência artificial.

Em menos de 24 horas de trabalho, conseguiu desenvolver uma nova aplicação acessível pela internet, mantendo as funcionalidades anteriores e incorporando melhorias.

“Poder conversar em linguagem coloquial com uma ferramenta e ela desenvolver e integrar coisas é espantoso”, relata.

O programa ainda passa por ajustes, mas já está sendo utilizado em testes práticos.

Satélites podem ajudar a identificar danos nas lavouras

Outra iniciativa envolve a utilização de imagens de satélite para avaliar prejuízos provocados por animais silvestres nas plantações.

A produtora Deborah Gerda de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, iniciou conversas com a empresa Planet Labs para investigar a possibilidade de dimensionar áreas danificadas por javalis e capivaras.

A tecnologia pode contribuir para identificar a extensão dos prejuízos agrícolas e apoiar medidas de controle.

Entretanto, ainda existem limitações. Embora as imagens possam mostrar áreas afetadas, não é possível determinar com segurança, apenas pelos registros de satélite, qual animal provocou os danos.

Os estudos continuam para avaliar a viabilidade da aplicação.

Comandos de voz podem facilitar registros nas propriedades

A inteligência artificial no campo também pode transformar a maneira como produtores registram suas atividades diárias.

O chefe da Assessoria de Inovação do Senar Nacional, Alexandre Martins, está avaliando uma ferramenta desenvolvida pela empresa Numanac que permite registrar informações por comandos de voz.

O produtor poderá relatar atividades como aplicação de defensivos, manejo de animais e operações agrícolas. O sistema organiza os dados automaticamente para consultas posteriores.

A proposta é facilitar o acompanhamento dos custos, preservar o histórico da propriedade e apoiar o trabalho da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

“As pessoas têm uma dificuldade de fazer anotações e de ter esses registros. A interação por voz pode reduzir essa barreira”, observa Martins.

Por enquanto, a tecnologia está em avaliação e não há definição sobre sua incorporação aos serviços do Senar Nacional.

As experiências demonstram como o contato com tecnologias internacionais pode estimular soluções adaptadas à realidade da agricultura paranaense, especialmente na redução de tarefas administrativas e na melhoria da tomada de decisões.

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