Satélites e robôs revolucionam o trabalho no campo nos Estados Unidos

Produtores do Paraná conhecem na Califórnia tecnologias que reduzem custos, enfrentam a falta de mão de obra e já começam a chegar ao Brasil.

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Atualizado há 4 horas

O uso de satélites e robôs na agricultura está transformando a produção rural nos Estados Unidos. Máquinas autônomas, inteligência artificial e sistemas de monitoramento permitem reduzir custos, melhorar a produtividade e enfrentar a escassez de mão de obra no campo.

Essas tecnologias foram apresentadas a produtores e lideranças rurais do Paraná durante uma viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP. A delegação visitou empresas e propriedades agrícolas na região de São Francisco, na Califórnia, para conhecer soluções que já começam a ser utilizadas no Brasil.

A Califórnia concentra 368 startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão, conhecidas como unicórnios. O ambiente de inovação favorece o desenvolvimento de tecnologias que combinam inteligência artificial, robótica e equipamentos autônomos.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a iniciativa busca aproximar os produtores paranaenses das inovações que podem contribuir para a modernização do agronegócio brasileiro.

“A viagem técnica é uma forma de aproximar as nossas lideranças rurais dos ambientes de pesquisa e inovação, estimulando, no futuro, a adoção de tecnologias economicamente viáveis por meio da IA, automação e digitalização das atividades agropecuárias”, destacou.

Robôs reduzem custos e substituem tarefas repetitivas

Uma das visitas ocorreu na Yamaha Agriculture, na região de Carneros, onde os participantes conheceram o robô Prospr, desenvolvido para realizar pulverizações em vinhedos e pomares.

O equipamento executa atividades repetitivas, perigosas ou que exigem esforço contínuo, diminuindo a exposição dos trabalhadores a produtos fitossanitários.

A diferença no consumo de combustível chama a atenção. Conforme dados apresentados pela empresa, o Prospr registra um custo de US$ 0,34 por hectare, enquanto sistemas convencionais com tratores e pulverizadores chegam a US$ 2,21 por hectare.

Outra vantagem é a possibilidade de operação durante a noite e por períodos prolongados, ampliando as janelas de trabalho nas propriedades.

O robô já é utilizado na Austrália e na Nova Zelândia, especialmente em cultivos de uvas e maçãs. A Yamaha também considera uma futura expansão para o Brasil.

Satélites monitoram lavouras diariamente

A delegação também conheceu a Planet Labs, empresa de São Francisco especializada em imagens de satélite.

Com aproximadamente 250 satélites em operação, a companhia realiza o monitoramento diário da superfície terrestre, produzindo imagens capazes de identificar alterações em áreas agrícolas e ambientais.

Na prática, a tecnologia permite acompanhar o desenvolvimento das plantações, comparar safras e identificar regiões que apresentam problemas de crescimento ou possíveis perdas.

O uso de satélites e robôs na agricultura também pode contribuir para o planejamento das atividades, a gestão de riscos e a utilização mais eficiente dos recursos disponíveis.

No Brasil, as imagens de satélite apresentam potencial para auxiliar na elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e no desenvolvimento de seguros agrícolas baseados em indicadores climáticos.

“O seguro rural e o CAR são dois aspectos fundamentais para os nossos produtores rurais, mas que têm causado problemas no Brasil. Com a precisão das imagens de satélites, o agricultor pode fazer uma gestão de risco mais assertiva, reduzindo determinados custos e agilizando processos”, afirmou Meneguette.

Delegação paranaense segue roteiro pelos Estados Unidos

A viagem técnica reúne 32 produtores, lideranças rurais e representantes da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), de 19 municípios do Paraná.

Além da Califórnia, o roteiro inclui visitas a empresas, universidades e propriedades rurais nos estados de Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri até o final de outubro.

O objetivo é conhecer experiências de inovação que possam ser adaptadas à realidade do agronegócio paranaense, especialmente diante dos desafios relacionados à mão de obra, produtividade e custos de produção.

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