A sobretaxa da China sobre carne brasileira acendeu um alerta no setor pecuário. Desde 1º de outubro, os embarques que ultrapassam a cota anual estabelecida pelo país asiático estão sujeitos a uma cobrança adicional de 55%.
Com a tarifa padrão de importação, de 12%, a alíquota chega a 67% sobre os volumes excedentes. Para o Sistema FAEP, o cenário exige que o governo federal intensifique a abertura de novos mercados consumidores para reduzir a dependência da China e evitar impactos aos produtores.
A cota brasileira para 2026 foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas e já foi atingida. A medida faz parte das salvaguardas adotadas pela China para proteger sua indústria doméstica e está em vigor desde 1º de janeiro.

FAEP defende diversificação de compradores
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a tarifa adicional reduz a competitividade do produto brasileiro no principal mercado consumidor da carne bovina nacional.
“Essa medida encarece a entrada da carne brasileira no mercado chinês, tirando competitividade dos nossos produtos. Uma solução é o governo federal trabalhar para abrir novos mercados, para que os produtores não sejam penalizados. A diversificação de compradores oferece alternativas ao setor”, afirma.
Meneguette também destaca que o Paraná possui apenas uma planta habilitada para exportar carne bovina à China, autorização concedida em 2023. Mesmo assim, os reflexos da medida podem alcançar os pecuaristas paranaenses por meio das mudanças na dinâmica do mercado nacional.
China é mercado bilionário para carne brasileira
A dimensão das exportações ajuda a explicar a preocupação. Em 2025, o Brasil vendeu aproximadamente US$ 8,84 bilhões em carne bovina fresca, refrigerada e congelada para a China, totalizando 1,65 milhão de toneladas.
Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul concentram a maior parcela dos embarques brasileiros destinados ao mercado chinês.
Apesar da forte participação da China, a carne bovina brasileira é comercializada em mais de 170 países nos cinco continentes. Para a FAEP, ampliar essa rede de compradores é uma das alternativas diante das novas barreiras comerciais.
A sobretaxa da China sobre carne brasileira, segundo a entidade, reforça a necessidade de diversificação dos destinos das exportações e de maior atenção dos produtores aos custos da atividade.
Pecuaristas devem reforçar gestão
Dentro das propriedades, a recomendação é que os pecuaristas mantenham as decisões de produção e comercialização baseadas no custo total da atividade. O acompanhamento permite verificar se os preços recebidos são suficientes para cobrir despesas e garantir rentabilidade.
“Como as atividades pecuárias exigem altos investimentos, é fundamental que o produtor assuma compromissos financeiros apoiados em projetos técnicos que levem em conta os fatores de risco. Além das restrições às exportações, o câmbio e as taxas de juros precisam entrar na conta”, orienta Meneguette.
O Sistema FAEP mantém cursos e serviços de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) voltados à bovinocultura de corte. As iniciativas buscam auxiliar produtores na gestão de custos, receitas e riscos diante das oscilações do mercado.