Vida invisível do solo aumenta produtividade e reduz custos nas lavouras

Pesquisa no Paraná mostra que a vida invisível do solo favorece a fertilidade, reduz a necessidade de insumos e aumenta a resistência das plantações à seca.

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Atualizado há 12 horas

A chamada vida invisível do solo, formada por minhocas, besouros, formigas, fungos e bactérias, pode ser uma importante aliada dos agricultores na redução de custos e no aumento da produtividade. É o que aponta um estudo da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), que investiga os benefícios dos organismos presentes na terra para a agricultura.

A pesquisa demonstra que preservar a biodiversidade do solo contribui para diminuir a necessidade de fertilizantes e defensivos químicos, melhorar a resistência das lavouras à seca e aumentar a rentabilidade da produção.

O trabalho integra as iniciativas do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo (Napi-Prosolo), com apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária.

Foto: Divulgação/FAEP SENAR
Foto: Divulgação/FAEP SENAR

Organismos ajudam a reduzir gastos com fertilizantes

Segundo o pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, doutor em Agronomia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Londrina, a atividade biológica é essencial para manter o equilíbrio entre o solo e as plantas.

“A biota do solo é fundamental para o sistema solo-planta. Bactérias, fungos, minhocas, besouros, formigas e uma infinidade de outros organismos formam, junto da água, ar e componentes físicos e químicos, o chamado ‘solo vivo’”, explica.

Esses organismos decompõem resíduos vegetais, reciclam nutrientes e facilitam sua absorção pelas raízes. Também podem atuar no controle natural de pragas e doenças.

Na prática, quanto mais diversificada e ativa for a vida invisível do solo, menor poderá ser a dependência de insumos externos, como adubos, herbicidas e fungicidas.

“Quanto mais ativa e diversificada essa vida no solo, menos insumo externo o produtor precisa usar e maior a rentabilidade da lavoura”, destaca Colozzi Filho.

Terraceamento pode aumentar em 117% a presença de fungos benéficos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde 2018, pesquisadores monitoram áreas agrícolas com e sem terraceamento em seis regiões do Paraná. O objetivo é compreender como as práticas de conservação influenciam a atividade biológica do solo.

O terraceamento consiste na construção de estruturas que reduzem o escoamento da água da chuva, favorecendo sua infiltração e evitando a perda de terra e nutrientes.

Os resultados identificaram diferenças expressivas na presença de fungos micorrízicos arbusculares, organismos que se associam às raízes e ampliam a capacidade de absorção de nutrientes pelas plantas.

Em Toledo, a quantidade de esporos desses fungos foi 117% maior nas áreas com terraço. Em Dois Vizinhos, o aumento chegou a 39%, enquanto Cambé registrou crescimento de 14%.

De acordo com Colozzi Filho, a conservação da umidade cria condições favoráveis para a multiplicação desses organismos, contribuindo para a saúde e a produtividade das lavouras.

Plantio direto protege a vida no solo

Além do terraceamento, o estudo destaca a importância do sistema de plantio direto para a preservação da atividade biológica.

A manutenção da palhada sobre a superfície reduz a temperatura do solo, conserva a umidade e protege os organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica.

Em áreas descobertas, a temperatura pode atingir níveis capazes de comprometer a atividade de parte dos microrganismos.

O sistema de plantio direto também envolve a rotação de culturas e o cultivo em nível. Essas práticas, associadas ao terraceamento, ajudam a combater a erosão e preservar a fertilidade da terra.

Ciência busca garantir produtividade para futuras gerações

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta que o investimento em pesquisas de campo é fundamental para o desenvolvimento sustentável da agropecuária paranaense.

“É preciso garantir que o solo continue produtivo para as próximas gerações. Por isso, seguimos apoiando essas parcerias com universidades e instituições de pesquisa”, afirma.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam que a conservação do solo não representa apenas um benefício ambiental, mas também uma estratégia econômica para o produtor rural.

Ao preservar a biodiversidade, melhorar a infiltração da água e reduzir a perda de nutrientes, os agricultores podem diminuir despesas e manter a produtividade ao longo dos anos.

A pesquisa evidencia que cuidar da vida invisível do solo é investir na sustentabilidade e na rentabilidade da agricultura paranaense.

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