
Santa Catarina segue com altos índices de cigarrinha-do-milho, mas o cenário atual é de estabilidade e controle nas lavouras. De acordo com o boletim mais recente do programa Monitora Milho SC, a média estadual da última semana foi de 88,4 insetos por armadilha em cada ponto de monitoramento. Apesar dos números elevados, a ausência do espiroplasma do enfezamento-pálido — um dos patógenos mais agressivos — traz alívio aos produtores.
A coordenadora do Monitora Milho SC e pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, explica que houve constância nas capturas, mas sem presença do espiroplasma.
“Essa bactéria costuma surgir na fase final da lavoura e é altamente prejudicial. Já o fitoplasma do enfezamento-vermelho tem sido detectado pontualmente, aparecendo em alguns municípios e depois desaparecendo”, explica.
Ainda segundo a pesquisadora, os vírus do rayado-fino e do mosaico-estriado, embora mais frequentes, representam menor risco à produção.
A maior parte das lavouras catarinenses está atualmente na fase reprodutiva, o que exige atenção redobrada por parte dos agricultores. A recomendação é que os produtores acompanhem os boletins semanais da Epagri e planejem adequadamente a entressafra.
“É essencial programar a colheita e regular as máquinas para evitar perdas de grãos. Grãos que germinam após a colheita podem originar plantas voluntárias, conhecidas como tigueras, que servem de abrigo para as cigarrinhas durante o inverno”, alerta Maria Cristina.
Na última semana, os vírus do rayado-fino, do mosaico-estriado e o fitoplasma do enfezamento-vermelho foram identificados em amostras de cigarrinhas coletadas nos municípios de Canoinhas, Guatambu, Braço do Norte, Major Vieira e Lages. Já o espiroplasma e o mosaico-estriado não foram detectados nos pontos monitorados recentemente.
Criado em 2021, o programa Monitora Milho SC é uma iniciativa conjunta entre Epagri, Udesc, Cidasc, Ocesc, Fetaesc, Faesc, CropLife Brasil e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. O objetivo é acompanhar, em tempo real, a população de cigarrinhas-do-milho e os patógenos associados em todo o território catarinense, contribuindo para uma resposta rápida do setor produtivo diante de ameaças à produção agrícola.