Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná reuniu professores, estudantes, pesquisadores e parlamentares para discutir o uso da inteligência artificial na educação. O encontro ocorreu nesta segunda-feira (25), no Plenarinho da Casa, e tratou tanto das oportunidades quanto dos prejuízos da tecnologia no ensino básico e superior.
A principal preocupação apresentada foi a ausência de regulamentação para orientar o uso da IA em sala de aula. Segundo os debatedores, o cenário gera insegurança jurídica e coloca o Brasil em atraso em relação a países que já possuem legislação específica.
Impactos no aprendizado
Pesquisadores alertaram para os efeitos cognitivos da dependência da tecnologia. Estudos mostram que estudantes que usam IA para produção de textos apresentam menor memorização e dificuldades no desenvolvimento intelectual. Também foi levantada a dificuldade de rastrear a origem das informações fornecidas pelos sistemas.
Além disso, docentes destacaram o risco da “plataformização” do ensino, que reduz a autonomia dos professores e transforma educadores em meros reprodutores de conteúdos prontos.

Propostas em debate
No Congresso Nacional, tramitam projetos como o PL 2338/2023, que propõe um marco regulatório para o uso da inteligência artificial na educação, com diretrizes éticas e formação continuada de professores.
Já no Paraná, representantes da APP-Sindicato e das universidades reforçaram a necessidade de garantir condições para que a IA seja usada como ferramenta pedagógica, sem substituir a criação original e o pensamento crítico.
Desafios e benefícios
Entre os riscos citados, estão a autenticidade de trabalhos acadêmicos, as desigualdades de acesso tecnológico entre municípios e a possibilidade de a IA aumentar a exclusão digital.
Por outro lado, gestores educacionais ressaltaram os benefícios, como a adaptação de conteúdos ao ritmo de cada estudante, automação de tarefas administrativas, tradução em Libras e aplicações científicas, como a IA preditiva em pesquisas de segurança pública.
Voz dos estudantes
Alunos do IFPR e da UTFPR também participaram, relatando usos cotidianos da IA para estudos e programação. Enquanto alguns enxergam a tecnologia como aliada, outros manifestaram preocupação com abusos e riscos de aprendizado superficial.