A despedida de dois bons amigos

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Atualizado há 10 anos

Por Gilberto Francisco Brittes

A saudade de Carlos Zipperer

CarlosXZipperX-XcasamentoXOKEm 1960, quando eu tinha 11 anos, depois do falecimento da minha mãe, Stael, meu pai, Onofre Brittes, teve a felicidade de casar com Emília Bueno Cordeiro, a “querida Miloca”. Ela, natural de Matos Costa. A partir daquela data, nossa família Brittes passou a receber novos e queridos parentes, começando pelos avós, Horácio Bueno de Oliveira e Benvinda Cordeiro Bueno. Deste tronco, surgiram tios, tias, primos e primas, das famílias Zipperer, Bueno, Oliveira, Leandro e Santos.

Fomos recebidos por toda a família com grande amor e carinho. E a recíproca foi e sempre será verdadeira. Foi aí que conheci Carlos Zipperer, novo primo, jovem, bonito, esportista, que já namorava a linda moça Mariazinha, uma querida menina-moça. E foi bom ter sido primo de Carlos Zipperer por todos estes 50 anos. Estivemos em bons e difíceis momentos da vida, juntos, sempre. Participei de sua atividade empresarial como seu contabilista, fiz sua primeira Declaração de Imposto de Renda e infelizmente fiz a última, em 2015. Até não tive coragem de visitá-lo recentemente, porque me prometi despedir dele pensando naquela pessoa que na última visita me deu de presente uma fotografia da casa do tio Erich e tia Nina, sua casa também, na juventude, coberta de neve, em um dia de uma das temporadas frias de Matos Costa. Vivemos sempre com saudade daquela casa e por certo, teremos grande saudade de Carlos Zipperer também.

Como esportista, Carlos Zipperer fez história, jogando como centroavante, camisa número 9, do nosso querido Ipiranga, de Matos Costa. Ele com fama de grande goleador. Disputas entre Calmon, Rio dos Pardos, Rio Preto, Porto União, fizeram o deleite dos esportistas daquela cidade. Foi ainda em Matos Costa que iniciou sua carreira como empresário, no ramo comercial. Junto com sua esposa Mariazinha, na rua principal daquela cidade. Eles fundaram as Lojas Zipperer, embrião de todo o empreendimento comercial da cidade e da região. E lá, toda a nossa família começou a usar a “ficha”, nas compras à crédito. Começamos ali a estar empenhados na loja Zipperer. Passamos a nossa vida comprando ali. E continuamos na “ficha”. Como empresário Carlos foi importante porque fez um núcleo empresarial muito forte, hoje compartilhado pelos seus filhos e netos. Sempre educado, gentil, atencioso, fazia de seus clientes, de qualquer idade, se sentirem confortáveis, o que fez da empresa ser o sucesso que é até hoje.

Também militou politicamente em Matos Costa. Foi eleitor vereador, com duas legislaturas, uma pelos então partidos, MDB e Arena, em períodos diferentes, provando que era ele, uma figura popular e correta, que não dependia de partido para qualquer eleição.

Como marido, foi exemplo. Foi também exemplar como pai, avô e bisavô. “A família em primeiro lugar”, era seu lema. Como amigo, deixou plantada uma terna amizade: fazia tudo para não ter nenhum inimigo. Para ele, isso era importante, não ter manchas na amizade. Era muito querido pelos seus compadres e todos seus amigos.

Por isso tudo, toda a população lastimou profundamente sua despedida. Carlos Zipperer deverá ficar marcado na história regional como grande homem, como outros tantos que já se foram e fizeram história. Carlos Zipperer é um dos grandes homens, que deixa muita saudade e um grande legado.

A saudade de Rubens Maia

RubensXMaiaXcomXamigosEm 1983, com a terrível enchente que assolou União da Vitória, apareceu na região uma figura querida, carismática, de força. Na época, todo mundo queria saber quem era aquele homem, tão empenhado e dedicado. Com o tempo, descobriu-se que era um homem da equipe do gabinete de Aníbal Khury que, em seu nome, veio prestar apoio ao então prefeito Alcides Fernandes Luiz, que lutava pela recomposição da cidade.

Maia veio e ficou, sempre participando da movimentação política, financeira e educacional da cidade. Sempre ao lado da família Khury, de quem tinha muito orgulho e, com este mesmo orgulho, vibrou com as conquistas do jovem Alexandre Curi, eleito deputado, sucessor do “guru” Anibal Khury.

Palmeirense roxo, fanático, torcedor doente, fazia da “Banca do Pilão” palco das grandes discussões políticas, sociais e esportivas da cidade. Homem de bom caráter, que sempre usou sua força política em prol de atendimentos particulares, tentando, através desta influência, algo de bom para a sociedade local. Seu trabalho na área social, usando o gabinete do deputado, Alexandre Curi, sempre será lembrado pelo envio de todos aqueles que precisavam de atendimento na área de saúde. Muitas vidas foram salvas por conta dessa ligação de Rubens Maia com a equipe de Alexandre Curi, que colocava sempre seu gabinete à disposição de quem precisava.

Sua despedida foi rápida: quando preparava sua aposentadoria, partiu, deixando inúmeros amigos, boas risadas e muitas lembranças. Perdemos um grande amigo.

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