O poder de algo não dito

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Atualizado há 13 anos

Por Vanderlei Woytowicz 

Pra mim o silêncio parece ter cor clara, um bege invisível, um branco pálido ou talvez um nada com luzinhas piscantes. O silêncio lembra-me um rosto sem expressão, com uma boca em forma de arco, curvado pra baixo, sendo notado de longe, tristeza á vista. Ele dança, em passos lentos, em ritmo assimétrico, em euforia de esplendor e encontro humano. Quem sabe seja um erro comum de todos pensarem assim.

O silêncio traz com ele incômodo, desconforto, uma linguagem não dita e confusa, ou seria ao contrário: acolhimento, encontro com o que temos do lado de dentro, felicidade e paz interior? Cada um acredita naquilo que quer. Mas prefiro a segunda opção, é mais atraente, e tem peculiaridades minhas. Estender o braço e segurar firme a mão esvoaçante coberta pelas luvas do desconhecido pode ser assustador, pra quem não crê e não se vê. As luvas se transformam em fumaças, o braço fica parado no tempo, você encharcado de certezas incertas e o silêncio corre gritando, nos labirintos íntimos de você mesmo.

É monstruoso não conseguir se encontrar, enquanto a marcha das horas atropela o mundo. Como um sopro jogado na corrente do bem, o silêncio é transformador e vai de encontro com aquilo que precisamos, em busca do que queremos, e cai onde tem que cair. Em mim e em você. Não se permitir viver é quase o mesmo que querer dar nó em gota d’água: perca de tempo. O silêncio transparece verdades jamais ditas. Desenrola e desata problemas e lança para o alto os desencontros e palavras mal ditas. Tenho admirado o que não se diz, aquilo que é deixado entre linhas, o que ninguém vai saber, caso o silêncio não seja interrompido com um sorriso leve, arqueando a boca, para cima, em direção ao sol, em busca de luz e calor.

Em passos calmos, sem pressa, nas pontas dos pés, ele vem. É hora de ir, despedir-se das palavras por um intervalo de reflexão e por respeito ao que não se quer falar, ninguém é, e nem pode ser, torcido feito toalha molhada até que escorram frases feitas e sentimentos em sí-la-bas. Seja muito bem vindo. Silêncio!

Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União

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