Por Vanderlei Woytowicz
Não costumamos pisar no chão e perceber o efeito micro que isso causa no nosso corpo ou no campo gravitacional ou até mesmo quando abrimos a torneira para beber água, não temos ideia do processo que ela teve que passar até chegar a nossa boca, os caminhos que ela percorreu ou a intensidade de pureza com que ela chega até nós. Vivemos ocupados demais com as coisas do dia a dia que acabamos esquecendo o que é importante, o que causa um efeito bom sobre nossa vida, não lembramos mais sobre como podemos salvar o mundo, não nos preocupamos mais em quem está nos comandando, tudo isso virou conversa de bar.
Ficamos enlouquecidos com a profissão que ainda não chegou, com os amores errados, com a varanda do vizinho que é maior e mais espaçosa que a nossa, ficamos entorpecidos de tarefas extras para sermos mais todos os dias, e não olhamos o macro disso tudo, onde existe um universo com infinitas moléculas que estão todas ligadas em uma teia de vibrações altamente invisíveis. Não percebemos o todo. Nossos olhos são lanternas falhas da luz solar.
Todo o nosso inconsciente muitas vezes é obrigado de certa forma a despertar, a entrar em cena, a se reacender, a tornar vida, ou deixar a escuridão para algo ainda mais desconhecido que é a vida dos dias, não há como fingir que as suas dores, os seus traumas, os descontentamentos não estão aí em algum lugar do espaço. Elas estão. E nós como seres em evolução, jogamos tudo em algum espaço vazio dentro do corpo e com o passar do tempo psicossomatizamos e pode ser que todo esse sentimento coberto pelo edredom escuro de Poá dê sinais de que ainda está vivo.
Você consegue entender a fragilidade do que somos? Imagine um poço bem fundo, onde de lá você só consiga ouvir gritos, sussurros e vozes que sofrem, as palmas das mãos rasgando a parede fria, olhos felinos que temem ser sugados pelo preto e, esse poço tem um balde preso por uma corda e você tem a chance de soltar aos poucos esse balde vazio para resgatar todos os monstros que você mesmo criou, temos a possibilidade de acolher a dor e transformá-las em algo melhor ou deixar com que os monstros nos puxem e nos afoguem de cabeça nesse poço. Ainda temos escolha. Somos pigmentados culturalmente para agirmos de determinada maneira para o bem como de todos, mas você está sendo o bem para você? Onde foi que o mundo se perdeu? No que você tem acreditado? Comece a formular suas próprias perguntas e perceba no que você vem se tornando, quem você é, o que foi que aconteceu para você ser quem é hoje, temos toda uma história na nossa árvore genealógica, se não mais além do que isso, que foi nos construindo antes mesmo de termos nascidos, quando escolheram que Vanderlei seria o meu nome, eu aprendi que esse era eu, mas o que eu faço com ele é bem mais do que me dizem ser certo ou não.
Tenho lampejos de consciência, desejos, e de algo que não descobriram o nome, e esse sou eu em processo evolutivo cíclico. Tente entender o que o universo quer te dizer e ele dirá. A vida é uma grande metáfora de duplo sentido, espero decifrar o que é ser Vanderlei.
Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União