ARTIGO: Cresci, e agora?

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Atualizado há 12 anos

Por Vanderlei Woytowicz

Uma hora ou outra a gente acaba crescendo e as nossas pernas não cabem mais nas mesinhas da pré-escola, os brinquedos do parque não suportam mais nosso peso, as coisas ficam desproporcionais, não existe mais o encaixe. O vento acaba soprando todas as folhas secas das árvores e leva com ele um tanto da nossa inocência, talvez haja quem precise mais dela do que nós. Tomar impulso, iniciativa e, colorir a vida é tarefa difícil, precisa-se de muito estudo, e é mais complicado do que aprender o teorema de Pitágoras, fazer uma mistura com ácidos ou conseguir entender os motivos de todas as guerras da história.

Estudar é um processo contínuo que não para, aprendi ontem por exemplo com o meu vizinho, que somos seres mutáveis e estamos em constante mudança, dentro e fora. A pele envelhece e o coração amadurece. Quis ser de tudo quando era criança, astronauta, médico, matemático, caminhoneiro, veterinário, um super-herói ou, igual o meu pai e a minha mãe: gente grande. E aos poucos fui percebendo que não podia ser tudo, e foi aí que as escolhas começaram a ser tomadas, onde os caminhos se abriram e as pernas dobravam-se de câimbra sem saber o que fazer, e a direção se deu por questões de sonhos e possibilidades de torná-los reais.

Não podia fazer tudo, mas podia fazer o que eu mais gostava. A gente só sabe que cresceu, quando precisamos voar sozinhos, sonhar sozinhos, andar com as próprias pernas e escolher o que queremos da nossa vida, antes disso, somos guiados pelos pais ou por quem cuida de nós, não temos tantas preocupações a não ser um joelho ralado, um cotovelo esfolado, ou até mesmo um olho roxo causado pela briga no recreio. As responsabilidades vêm com o tempo, e precisamos saber lidar com elas, criar estratégias para viver bem, e transformá-las em aprendizagem.

Viver requer disciplina. Os sonhos são possíveis desde que além de serem sonhados sejam postos em prática, a senhora Solidariedade não enviará seu diploma pelo correio ou via e-mail, será você que o trará até suas mãos. As mudanças nos deixam de cabelo em pé, deve ser porque é mais confortável viver dentro de uma caixinha com aquilo que já conhecemos do que abri-la e pular pro lado de fora, o medo de ver monstros e dificuldades nos faz ser imóveis pra algo novo, mas quando descobrimos que o mundo acontece fora dessa caixinha as mudanças vão acontecendo aos poucos, dentro do nosso próprio limite, o que não pode é não tentar mudar. Impossível é palavra fora da minha lista de coisas que acredito, se eu quero, eu posso, se eu posso, eu devo. O mundo espera por pessoas que tenham a ousadia de fazer a diferença, de serem diferentes naquilo que fazem, e mostrarem toda essa potencialidade para o mundo. Nunca deixe de acreditar em você e nos sonhos que te movem, são eles as válvulas de escape que conduzem o voo.                           

Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União

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