Por Vanderlei Woytowicz
Falava-se muito em aquecimento global há algum tempo atrás e pouca era a importância que devam, os lixos continuavam sendo jogados nas ruas, nos rios e nos cantos. Tudo isso um dia teria que sair e acabou transbordando nas cidades do Sul, as águas vindas do céu não davam trégua e encharcavam os comércios, as casas, e levavam com elas alguns animais desabrigados. As lágrimas de quem perdeu tudo ia junto com a correnteza e as estradas tornaram-se um grande mar de dor, que invadiam vidas sem ao menos pedir licença, nem mesmo bater a porta. Uma visita indesejada que entrava pelas janelas e rodopiava os móveis, famílias sendo alojadas em lugares seguros e os corações acabavam por ficar em casa. O medo era tomado pelas crianças que choravam e pelos pais desamparados que tentavam salvar o que tinham.
Toda uma vida sendo deixava para trás e os olhos em prantos suplicando ajuda, todo um povo que nada podia fazer a não ser estender a mão ao próximo, acolher a tristeza, e dar um prato de comida quente. Cidades que rezavam para que toda a chuva tivesse fim, e a água baixasse. Sinto pena dos que não conseguem sentir pela dor do outro, porque afinal de contas somos todos um e estamos interligados por fios invisíveis de amor. Que Deus perdoe os que zombaram e não se dispuseram a ajudar, o mundo gira e amanhã a enchente pode ser em cima da sua vida.
Enchente de dor, miséria, desrespeito e problemas. O prejuízo ainda é incalculável, toda a lama está na porta de casa e o trabalho ainda não acabou, é hora de arregaçar as mangas, dobrar a barra das calças e limpar tudo que a as águas nos trouxeram em dois dias. E recuperar o que nos foi levado. Somos todos culpados por não darmos a devida atenção aos estragos que causamos ao mundo. Lei do retorno. E para a felicidade de todos, no fim da tarde despontou alguns raios de sol que trouxeram um pouco de calma a todos, a água baixou e os nossos pés puderam pisar no chão e recobrar nossa lucidez afogada. Hoje pela manhã as pessoas voltaram às ruas e tentam com toda a força viver outra vez.
Os curiosos que se envergonhem e arremessem o mal pra fora do peito e ajudem os necessitados. Só olhar não ajuda. Suas mãos podem fazer pelos outros o que eles não podem fazer por eles nesse momento. Erguer de novo os homens, as casas e as pontes, a vida precisa continuar, podemos sim recomeçar. Deus tende piedade de nós. Mãe natureza não permita que a chuva leve o pouco que alguns possuem, não desmorone o coração de ninguém, encontre saída para todos que precisam. Amém!
Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União