Vanderlei Woytowicz
Para minha querida Brubs.
Sonhar é viver realidade também, não está escrito em lugar algum que não seja, portanto vamos nos direcionar com armas de fogo, arco e flecha, paus e pedras, para a muralha não cair. Mesmo quando a raiva chegar e o mal nos atacar, as armas vão falhar, damos o que temos: amor. Houve um tempo em que uma gladiadora arrastava-se de um povo ao outro, combatendo os inimigos e com a fúria exterminava os monstros, mesmo assim o reconhecimento não lhe deteve, na verdade ele nunca lhe pertenceu, os homens não aceitavam uma mulher como líder e o mundo estava incessantemente cobrando dela uma postura e de antemão sua retirada do mundo dos homens. As guerras continuavam acontecendo, os vilões, bandidos e ladrões continuavam existindo, não houve homem que conseguiu reverter às situações que vinham ocorrendo, e a gladiadora que tinha com ela um raciocínio rápido, insigths lógicos e percepções mágicas, compreendeu então que quando mais se combatia, mais o mal os cercavam, uma dualidade entre bem e mal que não os deixavam em paz. Passado um bom tempo, não se ouvirá falar sobre os inimigos e não se viu pelos povoados monstros com garras, os voadores com grandes patas, e os que vinham pela correnteza do mar que tinham grandes olhos. Ninguém sabia o que estava acontecendo, a ausência do que já era comum, espantou os moradores que procuravam enlouquecidamente pelos seres que lhes faziam sofrer, eis que em frente ao mar debaixo das nuvens e entre o verde avistaram a gladiadora sentada nas costas de um monstrinho estranho, desconhecido e feioso, ela o acariciava e trocavam conselhos, pedindo ajuda e perdão por todos, espantado o mostrengo bateu asas e nadou pelas águas verde claras que despontavam em um grande penhasco. Voou. Mas do que depressa os moradores daquele lugar foram em busca das armas para matá-lo, eis que mais rápido que o vento a gladiadora os impediu, e como pluma os acalmou, dando-lhes um relâmpago de consciência. Vagarosamente o mostro veio se aproximando e seria obvio demais se a história acabasse assim tão perfeita e feliz, então a gladiadora ditou regras, ordenou ensinamentos e levantou a espada:
– Aqui está o mundo de vocês, irei em busca do meu.
Baixou a espada e pediu ao mostrengo que voasse, nesse momento os deuses a ouviram e mandaram sobre a terra estrelas de paz que traziam dentro delas frases do que um dia eles já haviam dito sobre o mundo, sobre os monstros, os inimigos, a ignorância tomada por eles e as crenças limitantes de que o mundo é pequeno. Naquele dia viu-se um povo em lágrimas. A gladiadora foi embora e com ela algumas lições foram junto, existem mais monstros do lado de dentro do que do lado de fora de nós mesmos, então é mais fácil pegá-los no colo e andar de mãos dadas, o sofrimento acontece quando lutamos contra as coisas que existem e não deixarão de existir pela nossa vontade incrédula. O caminho se faz com a companhia deles. Voe passarinho.
Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União