ARTIGO: Maria Therezia, a Pioneira

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Atualizado há 12 anos

Por Odilon Muncinelli

Maria Therezia
Maria Therezia

Nascida em Montenegro (RS), no Dia do Professor, dia 15 de outubro de 1925, Maria Therezia Butzen Deboni fez os seus estudos com as Irmãs Franciscanas no Rio Grande do Sul, onde, na parte da manhã tinha aulas em Alemão e, à tarde, em Português. Depois de formada, lecionou no Colégio São José, no Rio Grande do Sul. Fez ainda o Curso de Administração Escolar (Especialização do Curso de Magistério).

Ainda nos pagos gaúchos, casou-se com Arlindo André Deboni, com quem teve uma filha, a Helena Deboni.

Depois, veio para União da Vitória (PR) em dezembro de 1952 e, em março de 1953, começou a lecionar como suplementarista, durante três anos, na Escola Normal Professora Amasília, de União da Vitória (PR). Nesta mesma Escola, Maria Therezia criou a Biblioteca José de Alencar.

É formada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Além de uma das fundadoras da FAFI de União da Vitória, hoje Universidade Estadual do Paraná, lecionou naquela Instituição, apenas as disciplinas de Crítica e Filosofia da História e ainda Introdução ao Estudo da História, apesar do Conselho Federal de Educação tê-la autorizado a lecionar Lógica, Ética, Estética, Filosofia, História, Educação Comparada e Sociologia.

No ano de 1958, concluiu o Curso de Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). E, posso afirmar, com certeza, que Maria Therezia Butzen Deboni foi a primeira mulher a exercer a advocacia em Porto União (SC) e em União da Vitória (PR).

Em que pese uma velada discriminação, imperante na época, ela, como mulher, não sofreu nenhuma resistência de parte dos seus colegas homens, quando, cheia de ideal e de esperanças, começou a trabalhar como advogada. Simplesmente, deu tempo ao tempo e, enquanto isso, ombreou-se com os colegas mais ativos e experientes, aumentando e aprimorando o seu conhecimento jurídico. Sem medo de caretas aprofundou-se nessa temática. Com modéstia e sem nenhuma subserviência, laborou sempre de maneira dedicada e acima de tudo, firme, zelosa e eficiente, para tornar-se a final uma figura de destaque no meio forense, com uma bela história de coragem, determinação, galhardia e humildade.

Conheço a Maria Therezia, praticamente, desde os bancos universitários e dedico-lhe o maior respeito, como mulher e como profissional, porquanto, ela percorre o difícil caminho da seara advocatícia, com bastante independência e operosidade, sem nunca esmorecer no desempenho da sua nobilitante missão.

Mulher simples, natural, autêntica, de grande riqueza interior e sem nenhuma postura artificial ou impregnada de vaidade. Extremamente educada e afável, nunca dispensou as palavras “por favor”, “com licença” e “obrigada”. Ao bem da verdade, esses atributos servem de exemplo para todos os advogados e principalmente para as advogadas de hoje. Porque ela fez da advocacia a ciência do justo e do bom.

A vida particular e a correta vida profissional desta advogada pioneira, hoje aposentada, vieram engrandecer, em muito, a história da advocacia, a história das mulheres advogadas e, porque não dizer, a História Local.

Ademais, professa um grande apreço pela advocacia, mas, o maior dos seus talentos é o magistério. Aliás, Maria Therezia “viveu a causa do Magistério e fala desse assunto com uma vibração jovem”. Publicou algumas pesquisas, entre elas: “Arquivo de Custódia da Prefeitura Municipal de União da Vitória” (in Anais do V Simpósio Nacional dos Professores Universitários de História, volume II, Portos, Rotas e Comércio, 1971) e “Por Um Estudo Equilibrado da História” (in Revista Luminária n.o 1, 1972), além de outros textos de real importância para o estudo e conhecimento da História.

É severa, implacável, mesmo na cobrança dos deveres essenciais do advogado e do professor. Prega, com fervor, os valores éticos e morais que sempre deram suporte e realce à sua respeitável carreira. Personifica, como é próprio dos pioneiros, a moral, a ética e honradez. Seu nome, certamente, ficará registrado nas páginas da História Local, pela sua abnegação, coragem e audácia. Numa homenagem digna da grandeza da sua personalidade.

Até hoje, Maria Therezia mora no alto da Cidade Nova, em Porto União (SC), juntamente, com a filha Helena.

Beira do Iguaçu, 05 de Setembro de 2.014.

Odilon Muncinelli é Advogado e Membro da Academia de Letras do Vale do Iguaçu. O texto acima foi escrito como homenagem a Porto União pelos seus 97 anos.

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