Artigo: Sentimentos entulhados

·
Atualizado há 13 anos

Por Vanderlei Woytowicz 

Temos alguns hábitos, quase que contrários ao que queremos ou pensamos, é uma autoflagelação de espírito, um boicote na alma, um desagrado para o corpo, um incômodo nos dias. Não conseguir viver os dias pela falta de notícias ou pelo excesso delas que sufocam, com desconforto no coração e insatisfação no sentir, não é amar.

Definitivamente não é. Pode ser que seja desinteresse ou até mesmo vigilância dobrada. Somos vigias do próprio coração, ou, pelo menos tentamos ser. Procuramos demais e nem sabemos o quê, provavelmente deve ser a pessoa perfeita, a mais bonita ou aquela que sacie nossas expectativas. Quanta idiotice misturada, quanta apelação ao amor forçado. Procuramos e não nos deixamos ser encontrados.

Temos vícios e colecionamos coisas esquisitas, mas o desgosto pelas pessoas me fazem colecionar desesperanças e um pouco mais de aflição, já os vícios são de sempre quebrar a cara por alguém destemperado e bem mal passado, prefiro conteúdo e não a carcaça de ninguém. Somos quase sempre doentes no “amor”, ou na forma em que amamos. Não precisa ser necessariamente oito ou oitenta, pode ser os dois em raiz quadrada multiplicada.

Depois que o tesão, a carência e o apego acabam, é hora de mandar embora, fechar a porta e esperar chegar, sabe Deus quem. Engatar um romance só por carência é mutilação na certa, querer só por desejo é prazer jogado pela janela do quarto, desapegar do que não faz mais diferença alguma, é tirar o mundo das costas e andar menos curvado. Não somos nenhum tipo de brinquedo velho pra ser jogado fora, mas precisamos entender também que não podemos ficar onde nossa presença já não é mais bem-vinda.

Entulho é sempre jogado fora, e com a gente não é tão diferente assim, somos derramados na porta dos outros, sorte de quem pegar primeiro, o encontro quase perfeito de dois entulhos, que se apresentam, na esperança de vícios e coleções de sentimentos um pouco mais saudáveis. O fechar de portas se dará pelos desajustes e pelo mau manuseio da fechadura. O abrir de portas se dará quando você estiver preparado, para se permitir, deixando a fechadura ajustada e com toque de quero mais. Não se deixe morrer em vida. Aproveite tudo que te faça feliz.

Vanderlei Woytowicz é acadêmico do curso de Psicologia da Fundação Universidade do Contestado – FunC Porto União

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!