Bioeconomia é caminho alternativo à geração de energia

Um dos grandes desafios da humanidade é migrar o uso de combustíveis fósseis para recursos renováveis. Neste contexto, a biotecnologia e bioeconomia se tornam pontos chaves para alcançar esta conquista de maneira sustentável. O Encontro Econômico Brasil-Alemanha trouxe a questão à pauta em um fórum que reuniu especialistas brasileiros e alemães na área na tarde de ontem.

A Alemanha é um país que já acumula pesquisas e experiências em bioeconomia e biotecnologia, enquanto que o Brasil é rico em biodiversidade e apresenta múltiplas oportunidades para a aplicação destes conhecimentos. A partir do potencial dos dois países é possível criar uma cooperação para que “tenhamos um planeta cada vez mais verde”, conforme disse Diana Jungmann, Coordenadora de Propriedade Intelectual e Bioeconomia da CNI (Confederação Nacional da Indústria). “O Brasil é a maior biodiversidade do planeta e está em uma localização privilegiada. Precisamos trabalhar para agregar valor aos recursos que temos aqui”, acrescentou Maria Beatriz Bley Martins Costa, Diretora Executiva, Planeta Orgânico.

No fórum, o secretário de Estado do Ministério Federal de Alimentação e Agricultura da Alemanha, Robert Kloos, falou sobre uma das experiências que seu país está tendo na área de bioeconomia. “Temos 8.000 instalações de biogás em empresas rurais ou em grandes concessionárias de energia, onde resíduos são aproveitados para a produção de energia elétrica. Este é um dos campos em que os dois países podem iniciar uma cooperação mais estreita”, observou ele, acrescentando ainda que é possível fazer um intercâmbio, mesmo que cada país tenha suas particularidades.

Neste campo algumas parcerias entre governos, instituições e empresas já estão ocorrendo, mas para o chefe de Inovação Internacional, Evonik Industries AG, Peter Nagler, é preciso trabalhar de maneira mais estratégica para que a cooperação seja mais eficiente. Para isso ele propôs um hub para a bioinovação que compreende cooperação, inovação e geração de riquezas. “Há ótimas atividades entre os dois países, mas ainda há potencial de melhoria para que haja competitividade em relação ao que já existe em termos de combustíveis fósseis”, observou Nagler.

O diretor presidente da Eco Conceito do Brasil S.A. (uma joint-venture teuto-brasileira que desenvolve projetos ambientais e de proteção ao clima na área do biogás), Ércio Kriek, trouxe à discussão a experiência da empresa em biodigestores, uma tecnologia que utiliza dejetos de animais e restos de alimentos para gerar gás. “Trouxemos a experiência a Alemanha a adaptamos às condições brasileiras. Hoje conseguimos reduzir o custo a 1/3 do que era praticado quando começamos. A previsão para este mercado é que em 10 anos o Brasil será o país com maior potencial sendo explorado em biodigestão”, comentou ele.

Legislação ainda é um problema no Brasil

Das empresas que trabalham com a biotecnologia e bioeconomia no Brasil, muitas delas têm origem alemã, como é o caso da Bayer. No Brasil ela está presente na área da saúde, mas é do agronegócio que provém 70% do faturamento da companhia por aqui. Neste segmento a Bayer produz sementes e defensivos agrícolas em no que diz respeito a estes, tem uma linha específica com a atuação de bacilos vivos que atuam na defesa vegetal. Entretanto, mesmo com esse grande mercado brasileiro, as pesquisas da companhia se concentram fora daqui.

O grande entrave, segundo o Diretor de Assuntos Corporativos da Bayer, Christian Lohbauer, é a falta de uma estrutura legal e regulatória adequada para que esses processos sejam aceitos e desenvolvidos no país. “As empresas alemãs estão prontas para usar a tecnologia, e no Brasil é oportunidade de dar um salto nessa área, só falta uma parte que é a sustentação legal que simplifique os procedimentos de tratamento cientifico”, mencionou.

0 COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta