EDITORIAL: A caminho da luz

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Atualizado há 10 anos

Cinco meses após o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) aceitar denúncia por crime de responsabilidade, oferecida pelo procurador de justiça aposentado Hélio Bicudo e pelos advogados Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff chega no seu desfecho. Apesar do caráter de interinidade de um novo governo que se inicia, o Brasil está prestes a entrar em uma fase teoricamente mais positiva. E tem efetivamente muito trabalho pela frente.

É hora de virar a página, de tomar uma dose forte de um remédio eficiente chamado ânimo. Mas só otimismo puro e simples não basta. O País precisa cumprir uma agenda positiva para a retomada do crescimento econômico e ratificar sua credibilidade, aqui e lá fora. O Brasil está deixando para trás um processo dolorido de letargia, para não dizer depressão. Enquanto deputados, senadores e ministros se engalfinharam para defender ou atacar o governo federal, empresas quebraram, a taxa de desemprego disparou, o dinheiro sumiu e o pessimismo tomou conta da nação. Mas é preciso deixar o passado e se concentrar no futuro. Criar perspectivas e cativar esperança.

O país precisa evoluir. O Congresso Nacional (deputados e senadores) e o próprio governo federal devem avançar em três pontos chaves do engessamento do país: a reforma fiscal, a reforma política e o pacto federativo. A primeira, para aliviar a maior carga tributária do mundo das costas dos empreendedores que, para produzir e vender, precisam gerar e preservar os postos do trabalho, evitando a miséria, a inadimplência e outras mazelas dos trabalhadores.

A minirreforma eleitoral mais retroagiu do que avançou. A reforma (política e eleitoral) precisa ser profundamente rediscutida, e adotadas ações e leis eficientes para melhorar o cenário. Resumindo, a atividade política precisa ser reinventada no Brasil.

Não menos importante: um novo pacto federativo, onde municípios e estados não sejam tão penalizados, financiando a farra dos atuais 32 ministérios e dos gastos exorbitantes do governo federal. Os municípios não podem continuar recebendo pesadas atribuições como saúde, educação (e fala-se no congresso em municipalização da segurança), sem a devida compensação. Os municípios ficam com a menor (muito menor) fatia do bolo de arrecadação da União. O governo federal, da distante Brasília, precisa se aproximar do município. Afinal de contas, o Brasil vive nos municípios.

O momento é de trabalho, de medidas sérias, muitas até antipáticas, mas para entrar nos eixos, municípios, estados e União precisam adotar políticas sérias para salvar os méritos de uma nação grandiosa como a nossa. Sem esquecer de ser feliz.

Avante, Brasil, rumo ao progresso e a dias melhores.

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